Talvez existam mais de 100 galáxias desconhecidas orbitando a Via Láctea!

Por Daniele Cavalcante | 18 de Maio de 2020 às 16h15

Ao redor da Via Láctea, há diversas outras galáxias. Elas são chamadas de "galáxias-satélite", e pode haver muito mais delas do que imaginamos, orbitando a nossa assim como a Lua orbita a Terra. Estudá-las nos dará mais informações sobre modo como as galáxias se organizam no cosmos e revelará sobre a força que está por trás de tudo isso: a matéria escura. Afinal, quais são as características dessas partículas invisíveis?

Um novo estudo pode responder essa pergunta e, ao mesmo tempo, revelar como as galáxias satélites acabaram “presas” à órbita da Via Láctea. Também oferecem evidências de que as maiores delas podem, também, ter suas próprias galáxias satélites atraídas pela Via Láctea. E, mais empolgante ainda, os cientistas estimam que nossa galáxia deve hospedar outras 100 galáxias-satélite de brilho muito fraco, ainda não descobertas.

Só nas últimas décadas, os astrônomos já encontraram cerca de 60 galáxias-satélite ao redor da Via Láctea. E elas podem revelar muito sobre a quantidade de matéria escura necessária para formar uma galáxia. Também ajudam a prever quantas galáxias satélites podemos esperar encontrar ao redor da Via Láctea.

Uma das novas pesquisas foi baseada nos dados do Dark Energy Survey (que é uma pesquisa anterior, iniciada em 2013, que visa estudar a dinâmica da expansão do universo e o crescimento das estruturas em grande escala). Esses dados deram aos cientistas informações “sem precedentes” sobre as “galáxias menores, mais antigas e mais dominadas pela matéria escura”, de acordo com Drlica-Wagner, co-autor da pesquisa.

Imagem registrada pelo telescópio Spitzer da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã satélite que orbita a Via Láctea (Foto: NASA)

Ele e sua equipe queriam “responder rigorosamente à pergunta: qual é a galáxia mais fraca que nossos telescópios podem detectar?”, e para encontrar a resposta, eles simularam mais de um milhão de pequenas galáxias satélites, as incorporaram em grandes conjuntos de dados astronômicos e usaram algoritmos de busca. Isso lhes permitiu determinar quais galáxias poderiam ser detectadas e quais eram muito fracas para os telescópios atuais.

Então, eles combinaram essas informações com grandes simulações numéricas de aglomerados de matéria escura para prever a população total de satélites ao redor da Via Láctea. O resultado foi uma estimativa de que cerca de 100 galáxias ao redor da nossa ainda não foram descobertas. Se elas forem encontradas, os cientistas poderiam confirmar o modelo, o que confirmaria ainda mais que a matéria escura está ligada à formação de galáxias.

Além disso, se o modelo for confirmado, poderá ser possível estabelecer um limite de quanta massa uma partícula de matéria escura poderia ter. É que se essas partículas forem muito leves, elas teriam velocidade muito alta, o que tornaria difícil para a matéria escura se agrupar e formar as galáxias que vemos hoje. "A natureza das partículas da matéria escura pode ter consequências observáveis nas galáxias que vemos", disse Drlica-Wagner.

Fonte: Phys.org

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