Encontrada a "fronteira invisível" da Via Láctea

Por Daniele Cavalcante | 24 de Março de 2020 às 10h46
Reprodução

Astrônomos já conseguiram medir, há um bom tempo, o tamanho do disco espiral luminoso da Via Láctea - cerca de 120.000 anos-luz de diâmetro. Mas os limites da nossa galáxia vão muito além disso. Uma equipe de astrônomos realizou um estudo e concluiu que a Via Láctea se estende por quase 2 milhões de anos-luz, mais de 15 vezes maior que o disco espiral.

Para além desse disco cheio de estrelas luminosas, há outro disco de gás - e uma vasta área de matéria escura, cheia de partículas invisíveis, envolve ambos os discos. Mas como o halo escuro não emite luz, é difícil medir seu diâmetro. Então, a astrofísica Alis Deasone seus colegas analisaram galáxias próximas para localizar essa borda invisível da Via Láctea, por meio de simulações computacionais.

De acordo com os resultados, o diâmetro preciso da nossa galáxia é de 1,9 milhão de anos-luz, com margem de erro de 0,4 milhão de anos-luz. Para chegar a essa conclusão, a equipe realizou simulações de como galáxias espirais tão grandes como a nossa se formam. Em particular, os cientistas procuraram casos em que duas galáxias gigantes surgiram lado a lado, como é o caso da Via Láctea e de Andrômeda, por exemplo.

A Via Láctea vai muito além de seu disco espiral luminoso

As simulações mostraram que, além da borda do halo escuro de uma galáxia gigante, as velocidades das pequenas galáxias próximas, atraídas pela gravidade da galáxia maior, caem acentuadamente. Com observações de telescópios, a equipe encontrou uma diminuição nas velocidades de pequenas galáxias perto da Via Láctea. Isso ocorre a uma distância de cerca de 950.000 anos-luz do centro da galáxia. Isso significa que é ali onde a matéria escura deixa de exercer sua influência nas galáxias menores. Em outras palavras, esta é a nossa fronteira invisível.

O artigo está disponível no arXiv.org, um repositório onde pesquisas científicas ficam arquivadas antes de serem revisadas por outros pesquisadores. Então, ainda pode haver algum debate sobre o assunto até que o estudo se torne um artigo publicado em algum periódico científico de renome. De qualquer forma, os astrônomos poderão aperfeiçoar essa localização da fronteira da Via Láctea descobrindo outras pequenas galáxias ao redor. Também poderá ser feita uma busca por estrelas individuais próximas da borda, embora elas sejam muito difíceis de se detectar.

Esse tipo de estudo é importante para descobrir outras características da Via Láctea. Por exemplo, quanto maior a galáxia, mais maciça ela deve ser, e então mais galáxias devem girar em torno dela graças à atração gravitacional. Até o momento, cerca de 60 vizinhas já foram detectadas ao redor da nossa galáxia, mas astrônomos suspeitam que ainda há muitas outras do tipo a serem descobertas.

Fonte: ScienceNews

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