Via Láctea pode colidir com a Grande Nuvem de Magalhães em 2 bilhões de anos

Por Patrícia Gnipper | 07 de Janeiro de 2019 às 12h45
ESA

Daqui a mais ou menos quatro bilhões de anos, a nossa galáxia estará se colidindo com a vizinha Andrômeda, o que resultará na formação de uma galáxia completamente nova no universo. Contudo, a Via Láctea pode já sofrer uma imensa transformação daqui a dois bilhões de anos, pois um novo estudo de astrofísicos da Universidade de Durham, no Reino Unido, mostra que a galáxia em que vivemos deverá se colidir com a Grande Nuvem de Magalhães nesse meio tempo.

Ainda segundo os cientistas, o encontro catastrófico poderá "despertar" Sagittarius A, o buraco negro supermassivo que fica no centro da Via Láctea, aumentando-o em tamanho em até duas vezes, além de liberar radiação de alta energia. Contudo, isso não deve afetar a vida na Terra, ainda que a colisão possa "lançar" o Sistema Solar pelo espaço.

A imagem, registrada pelo telescópio Hubble, mostra o início da colisão entre as galáxias M51a e M51b, que são similares à Via Láctea e à Grande Nuvem de Magalhães (Foto: NASA, ESA, S. Beckwith, The Hubble Heritage Team)

A Grande Nuvem de Magalhães fica a 163 mil anos-luz de distância, e entrou na nossa vizinhança há cerca de 1,5 bilhão de anos. Galáxias como a nossa normalmente estão cercadas por galáxias-satélites, menores, que ficam na órbita da galáxia principal. E, de tempos em tempos, essas vizinhas podem colidir com ou serem devoradas pela galáxia maior da vizinhança; afinal, tudo no universo está em constante movimento.

O estudo dos astrofísicos trouxe uma surpresa, na verdade, pois até recentemente pensava-se que a Grande Nuvem de Magalhães, por se mover muito rapidamente, acabaria escapando da força gravitacional da Via Láctea. Porém, os cientistas agora indicam que essa galáxia-satélite tem quase o dobro de matéria escura do que se pensava antes, e como ela tem massa maior do que a imaginada, rapidamente perde energia e, portanto, estaria condenada a colidir com a Via Láctea.

Imagem registrada pelo telescópio Spitzer mostra a Grande Nuvem de Magalhães (Foto: NASA)

Para prever a colisão, a equipe fez uma simulação usando supercomputadores EAGLE. De acordo com Dr. Marius Cautun, principal autor do estudo, "a destruição da Grande Nuvem de Magalhães, enquanto é devorada pela Via Láctea, causará estragos em nossa galáxia, acordando o buraco negro de seu centro e transformando-o em um núcleo galáctico ativo, ou um quasar". Isso pode gerar poderosos jatos de radiação de alta energia saindo do buraco negro, o que, consequentemente, poderá expulsar o Sistema Solar para o espaço interestelar.

E, caso em dois bilhões de anos a Terra ainda seja habitada por nossos descendentes, eles testemunharão um espetacular show de "fogos de artifício" cósmico, pois os jatos de radiação energética expelidos pelo buraco negro serão extremamente brilhantes, de acordo com Carlos Frenk, outro cientista que participou do estudo.

Fonte: Phys.org

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