Sonda InSight registra os dois maiores abalos sísmicos já detectados em Marte

Sonda InSight registra os dois maiores abalos sísmicos já detectados em Marte

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 25 de Abril de 2022 às 13h30
NASA/JPL-Caltech

A sonda Insight, da NASA, registrou os dois maiores abalos sísmicos já observados em Marte. Os tremores apresentaram uma magnitude superior a 4 — cinco vezes mais fortes do que o mais intenso registrado até então. É a primeira vez que eventos sísmicos desta proporção são observados do outro lado do Planeta Vermelho — em relação à posição da sonda.

Os “martemotos” (equivalentes aos terremotos na Terra) são extremamente importantes, pois é a partir deles que a sonda pode inferir os limites entre o núcleo e o manto de Marte.

Conceito artístico da sonda InSIght sobre a superfície marciana (Imagem: Reprodução/ETH Zurich/Géraldine Zenhäusern)

Os eventos sísmicos foram descobertos por uma equipe de cientistas liderada pela Universidade de Bristol, que também descobriu o possível local de origem (ou epicentro) deles. O martemoto mais intenso, nomeado S0976a, surgiu em Valles Marineris, um dos maiores cânions do Sistema Solar.

Imagens obtidas por outros satélites já haviam apontado deslizamentos de terra nessa região, indicando que ela seria sismicamente ativa, mas apenas agora um abalo sísmico foi identificado nela. Já o segundo martemoto, chamado S1000a, ocorreu 24 dias após o primeiro, no mesmo local.

Analisando os martemotos

Nesse evento, a equipe caracterizou ondas PP e SS refletidas e ondas Pdiff, ondas de pequena amplitude que percorrem os limites entre o manto e núcleo — primeira vez que a InSight regista este último tipo. O abalo S1000a também é o mais longo já observado em Marte, com um duração média de 94 minutos.

A InSight pousou na região Cerberus Foassae em novembro de 2018 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/University of Arizona)

Os dois abalos sísmicos aconteceram no que é chamado “zona de sombra do núcleo”, uma área onde as ondas PP e SS não conseguem ultrapassar. Portanto, elas precisam refletir ao menos uma vez na crosta antes de alcançarem o sismômetro da InSight.

Savas Ceylan, coautor do estudo, explicou que eventos sísmicos nessa zona de sombra são um “trampolim” para a compreender o interior marciano. “Estando na sombra central, a energia atravessa partes de Marte que nunca pudemos amostrar sismologicamente antes”, acrescente Ceylan.

O abalo S0976a é caracterizado por energia de baixa frequência — observado na maioria dos martemotos registrados pela InSight —, mas S1000a tem uma frequência mais ampla. A equipe acredita que o primeiro abalo tenha acontecido próximo à superfície, como já detectado na região de Cerberus Fossae — onde se encontra a sonda.

De todo modo, os pesquisadores destacaram a importância dos novos sismos, tanto pelo tempo de duração quanto pelos tipos de ondas gerados por eles. "Eles são realmente eventos notáveis ​​no catálogo sísmico marciano", apontou Anna Horleston, principal autora do estudo.

A pesquisa foi reatada na revista The Seismic Record.

Fonte: The Seismic Record, Via Phys.org

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