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Sonda da NASA registra os três maiores tremores já detectados em Marte

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  | 

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NASA/JPL-Caltech
NASA/JPL-Caltech

Em 2018, a NASA lançou o lander InSight para descobrir mais sobre o interior de Marte através dos abalos sísmicos que ocorrem por lá. Já no dia 18 de setembro, a sonda chegou aos 1.000 dias marcianos — ou sóis — de missão no Planeta Vermelho, alcançando o marco em grande estilo. Naquele dia, a sonda registrou um “martemoto” de magnitude 4,2 durante quase uma hora e meia, sendo um dos tremores sísmicos mais longos e intensos detectados até o momento. Além deste, outros dois fortes tremores também foram registrados. 

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Os dados da atividade sísmica foram obtidos graças ao sucesso da remoção de poeira de um dos painéis solares do lander, que permitiu manter seu sismômetro ativo. Este foi o terceiro grande terremoto identificado pela InSight em um só mês. No dia 25 de agosto, o sismômetro da sonda detectou tremores de magnitude 4,2 e 4,1. No momento, os cientistas seguem investigando o evento do dia 18, e já sabem um pouco mais sobre os de agosto. O martemoto de magnitude 4,2 ocoreu a 8.500 km da sonda, o que o torna o mais distante já registrado e, agora, eles seguem trabalhando para determinar a origem e direção em que as ondas sísmicas viajaram. 

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Por enquanto, eles já sabem que os tremores ocorreram longe demais para serem originados em Cerberus Fossae, o local onde houve abalos sísmicos anteriores. Além disso, os registros de agosto mostram fenômenos de características bem diferentes: o de magnitude 4,2 foi um martemoto de vibrações lentas e de baixa frequência, enquanto o outro, de magnitude 4,1, mostrou vibrações rápidas e de alta frequência, e aconteceu a 925 km de distância do lander. 

Apesar das diferenças, os dois terremotos de agosto têm algumas semelhanças entre si: além de ambos terem sido intensos, eles ocorreram durante o dia, a etapa em que há mais ventos — e ruídos, no caso do sismômetro — em Marte. Geralmente, o instrumento detecta os martemotos durante a noite, período em que o planeta esfria e os ventos ficam mais calmos. Mesmo assim, os sinais dos terremotos de agosto foram fortes o suficiente para se destacar em meio a qualquer ruído de vento. 

Entender a natureza das ondas sísmicas do planeta é uma forma de os cientistas descobrirem mais sobre o interior do planeta e, como consequência, entenderem melhor a formação dos planetas rochosos — incluindo a Terra e a Lua. Aliás, esses tremores poderiam não ter sido detectados se a equipe da missão InSight não tivesse agido durante o afélio de Marte, período em que o planeta ficou mais distante do Sol em sua órbita elíptica. Com as temperaturas mais baixas, a InSight precisou depender mais de seus aquecedores para manter a temperatura mínima para funcionar. 

Entretanto, o excesso de poeira nos painéis solares fez com que a equipe precisasse desligar alguns instrumentos temporariamente — mas não o sismômetro, que continuou ativo graças a uma abordagem inusitada. Os cientistas usaram o braço robótico da InSight para jogar areia marciana perto de um dos painéis solares, para que o vento levasse os grãos e ajudasse a “varrer” um pouco da poeira do componente. A ideia deu certo, e a equipe observou os níveis de energia da sonda se manterem razoavelmente estáveis. Agora, Marte se aproxima do Sol novamente e a energia da sonda aumenta de pouco a pouco. 

Fonte: NASA