Sonda InSight mostra que núcleo de Marte pode ser menor do que se pensava

Sonda InSight mostra que núcleo de Marte pode ser menor do que se pensava

Por Danielle Cassita | Editado por Luciana Zaramela | 19 de Março de 2021 às 17h45
NASA/JPL-Caltech

Em 2018, a sonda InSight, da NASA, pousou em Marte para estudar o que acontece no interior do Planeta Vermelho. Com os dados da energia sísmica se movendo pelo interior do planeta, uma equipe de cientistas pôde conhecer melhor o núcleo de Marte: as informações obtidas pela sonda sugerem que, na verdade, o núcleo do nosso vizinho é menor e menos denso do que se pensava até então. O estudo foi apresentado virtualmente na quinta-feira (18), durante o evento Lunar and Planetary Science Conference.

Em linhas gerais, os planetas rochosos — como é o caso da Terra e Marte — têm suas estruturas divididas em crosta, manto e núcleo. Por isso, os cientistas precisam conhecer as dimensões dessas camadas para entender como os planetas se formaram e evoluíram. É aqui que entra também o trabalho da sonda InSight, cujas medidas coletadas contribuem para sabermos como o núcleo de Marte, rico em metal, se separou do manto enquanto o planeta se resfriava.

A sonda InSight junto do instrumento SEIS, seu sismógrafo(Imagem: Reprodução/NASA)

O estudo foi feito a partir de descobertas anteriores da InSight, que revelaram que a crosta marciana possui camadas: “agora, começamos a definir uma estrutura profunda, que vai até o núcleo”, disse Philippe Lognonné, líder da equipe do sismômetro da InSight. O lander fica próximo do equador marciano à espera de abalos sísmicos chamados de “martemotos”; quando estes tremores acontecem, a InSight mede dois tipos de ondas sísmicas: aquelas que passam perto da superfície, seguindo em uma linha relativamentre reta entre o abalo sísmico e o lander, e aquelas que seguem ricocheteando no interior do planeta, até chegarem aos detectores. 

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Até o momento, a InSight já registrou 500 deles. Isso mostra que Marte é menos sismicamente ativo que a Terra, mas ainda é mais ativo que a Lua. Quase metade dos martemotos registrados teve magnitude de 2 a 4 pontos, forte o suficiente para trazer informações do que está ocorrendo no interior do planeta. Assim, com estas informações, os cientistas conseguiram calcular a profundidade da fronteira que divide o núcleo e o manto do planeta, de modo que foi possível estimar o tamanho do núcleo de Marte. 

Os dados obtidos sugerem que Marte tem um núcleo com raio de 1810 km a 1860 km, que equivale a metade das dimensões do núcleo da Terra. A medida é maior do que era proposto por outras estimativas, e sugere que o núcleo de Marte é composto por elementos mais leves, como o oxigênio, somado ao ferro e enxofre. Além disso, os dados sísmicos sugerem que o manto superior, que se estende de 700 km a 800 km para baixo da superfície, tem uma zona de material mais espesso, que faz com que a energia sísmica viaje de forma mais lenta.

Simon Stähler, cientista que apresentou o estudo durante o evento, explica que ainda não foi possível observar o núcleo de Marte, mas que agora eles sabem onde e o que observar com o sismógrafo: "podemos procurar por sinais de um potencial, se importável, núcleo interno que seja sólido", disse. Por outro lado, as medidas coletadas pelo lander até agora correspondem a um núcleo derretido.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado em formato pré-print, e pode ser acessado aqui. Futuramente, a equipe planeja enviá-lo para publicação em uma revista, com revisão de pares.

Fonte: Nature

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