Satélite com vela solar pode ser opção para "perseguir" objetos interestelares

Satélite com vela solar pode ser opção para "perseguir" objetos interestelares

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Julho de 2021 às 17h40
John Ballentine

A descoberta do Oumuamua, o primeiro objeto interestelar já detectado cruzando o Sistema Solar, aconteceu em 2017. Infelizmente, a identificação não aconteceu a tempo de os astrônomos analisarem as características estranhas desse visitante, como seu formato alongado e mudanças de trajetória — mas, futuramente, pode ser que estejamos melhor preparados para próximas oportunidades. Em um artigo, os autores apresentam um conceito de uma pequena nave interceptadora de objetos interestelares, que pode ajudar nisso.

O conceito foi criado a partir de uma proposta apresentada no programa Innovative Advanced Concepts, da NASA, que dá apoio às equipes para estudarem a viabilidade dos projetos que desenvolveram. Neste caso, os pesquisadores aproveitaram os resultados de missões anteriores, como a sonda IKAROS, lançada rumo a Vênus, e o projeto LightSail 2, com uma vela solar na órbita da Terra. Como estas e outras missões mostraram que as velas são sistemas de propulsão capazes e viáveis, os autores propõem combiná-las a CubeSats, que são pequenos satélites.

Foto da Austrália e golfo de Carpentária, feita recentemente pela LightSail 2 (Imagem: Reprodução/The Planetary Society)

É aqui que entra a proposta de missão: os autores sugerem somar a tecnologia das velas solares à capacidade de redução de satélites para que fiquem com o menor peso possível, criando uma ferramenta poderosa para a exploração do espaço. Então, para interceptar um objeto interestelar, o artigo propõe que um CubeSat equipado com uma vela solar seja lançado antecipadamente, e depois fique “estacionado” em uma órbita em torno do Sol, aguardando a visita do próximo objeto de interesse.

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Uma missão assim teria algumas vantagens: além de ser de rápida resposta, ela pode ser projetada de diferentes maneiras — por exemplo, uma missão de cinco anos conseguiria facilmente alcançar e estudar um objeto interestelar desejado e transmitir para os dados para a Terra. Contudo, um dos maiores desafios para tirá-la do papel envolve o calor, já que essa interceptadora teria que ficar muito mais perto do Sol do que as outras já estiveram.

Geralmente, missões do tipo usam alumínio revestido com Kapton, um material resistente ao calor. O material até pode resistir às altas temperaturas, mas, de qualquer forma, será necessário analisar cuidadosamente quais sistemas de proteção podem ser usados, já que o satélite não pode ficar muito pesado. Conhecemos somente os objetos interestelares Oumuamua e 2I/Borisov que passaram por aqui até agora, mas provavelmente há mais deles, nos visitando o tempo todo. Com novos telescópios, será possível encontrar outros — e uma nave interceptora, de resposta rápida, será uma excelente aliada para podermos estudá-los de pertinho.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no repositório online arXiv, ainbda sem revisão de pares para que seja aceito em um periódico científico.

Fonte: Universe Today

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