Rússia diz ser contra a militarização do espaço após acusação dos EUA; entenda

Por Patrícia Gnipper | 02 de Agosto de 2020 às 19h00
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Depois de ser acusada pelos Estados Unidos de ter testado uma arma antissatélite na órbita da Terra, a Rússia veio a público se defender. Dmitry Peskov, porta-voz presidencial, disse a repórteres na sexta-feira (31) que o país está comprometido com a desmilitarização total do ambiente espacial, sendo contrário ao envio de qualquer tipo de arma ao espaço.

Os EUA acusaram os russos de ter testado, na surdina, uma tecnologia que seria capaz de destruir satélites ao redor do planeta, ainda que o suposto teste não tivesse destruído equipamento algum. Segundo as acusações norte-americanas, o satélite russo Kosmos 2543 teria lançado um "objeto desconhecido" próximo a um satélite russo, no que seria um experimento para verificar se a tal arma chegaria mesmo perto o suficiente de um satélite a ponto de abatê-lo. Então, militares dos EUA se mostraram preocupados com a possibilidade de os russos usarem essa tecnologia para se aproximar de seus satélites e destruí-los, no que poderia ser um ato de guerra.

(Imagem: Reprodução/SAPO Tek)

A mesma acusação foi feita em abril deste ano, por sinal, também contra a Rússia. John Raymond, chefe de operações espaciais da Força Espacial e comandante do Comando Espacial dos EUA, disse que o sistema russo detectado em julho teria sido o mesmo no também suposto teste antissatélite que a Rússia teria feito em abril, quando os estadunidenses acusaram os russos de terem "inspecionado" um satélite de vigilância dos EUA. "Esta é mais uma evidência dos esforços contínuos da Rússia para desenvolver e testar sistemas espaciais, e consistente com a doutrina militar publicada pelo Kremlin para empregar armas que mantêm em risco os ativos espaciais americanos e aliados", declarou.

Tudo o que Peskov disse a respeito foi que a Rússia é contra esse tipo de ação, dizendo, ainda, que uma reação às acusações dos EUA "provavelmente deveria ser feita pelo nosso Ministério da Defesa e pelo Ministério das Relações Exteriores", justificando por que não falaria mais sobre o assunto — ao menos por enquanto.

Fonte: Space Daily

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