"Incomum e perturbador": EUA criticam teste antissatélite feito pela Rússia

Por Daniele Cavalcante | 20 de Abril de 2020 às 16h10

O Comando Espacial dos EUA afirmou que a Rússia disparou um míssil antissatélite em um de seus testes balísticos no dia 15 de abril. Para os norte-americanos, o teste teria sido uma prova de que as armas russas são uma ameaça em potencial a satélites estadunidenses.

John Raymond, comandante do SpaceCom, disse que o teste antissatélite da Rússia “fornece outro exemplo de que as ameaças aos sistemas espaciais dos EUA e seus aliados são reais, sérias e crescentes", e afirmou que os mísseis da Rússia são capazes de destruir satélites em baixa órbita terrestre.

Armas antissatélite (ASATs) são armas espaciais projetadas para destruir satélites por motivos militares estratégicos. Atualmente, quem possui esse tipo de tecnologia são os EUA, alguns países membros da antiga URSS, a China e a Índia. Há pouco mais de um ano, a Índia destruiu um satélite em órbita e se autointitulou "uma potência espacial" por conta disso.

O teste recente da Rússia veio pouco tempo após manobras suspeitas realizadas em fevereiro. Os EUA viram dois satélites russos chamados COSMOS 2542 e COSMOS 2543, que "exibiram características de uma arma espacial", de acordo com o general Raymond. Essa dupla de satélites teriam sido colocados para seguir o USA 245, um satélite norte-americano de imagens confidenciais. Raymond descreveu esse comportamento como "incomum e perturbador".

Um foguete russo Soyuz 2.1v lançando um satélite militar confidencial em 25 de novembro de 2019. O satélite aparentemente pode rastrear outros satélites em órbita (Foto: Roscosmos)

Sobre o teste ASAT de 15 de abril, Raymond declarou que esta teria sido uma prova de que a Rússia é hipócrita ao defender propostas de controle de armas do espaço sideral. Essas propostas foram projetadas para restringir as capacidades militares dos Estados Unidos no espaço. Para Raymond, no entanto, os russos “claramente não têm intenção” de interromper seus programas de armas espaciais.

Por isso, o general pediu aos governos que adotem normas de comportamento responsável no espaço. "É um interesse e responsabilidade compartilhados de todas as nações que viajam no espaço criar condições seguras, estáveis ​​e operacionalmente sustentáveis ​​para atividades espaciais, incluindo atividades comerciais, civis e de segurança nacional", afirmou, acrescentando que a segurança é importante também para lutar contra a pandemia de COVID-19

O espaço é crítico para todas as nações e para o nosso modo de vida. As demandas por sistemas espaciais continuam neste período de crise, onde a logística, o transporte e a comunicação globais são fundamentais para derrotar a pandemia do COVID-19.

A Secure World Foundation (SWF), organização que prevê os usos seguros, sustentáveis e pacíficos do espaço sideral, disse, por meio de seu diretor Brian Weeden, que a arma testada era um teste do Nudol, é um míssil anti-balístico russo e antissatélite que está em desenvolvimento. Ele foi projetado para desviar um ataque nuclear a Moscou e regiões industriais do país.

Os russos haviam emitido um aviso de que lançariam um Nudol para testes, de acordo com Weeden. "Este parece ter sido o nono ou décimo teste do sistema Nudol desde 2014, então sabemos que esse sistema está em desenvolvimento há um tempo", disse o diretor da SWF ao SpaceNews.

Fonte: SpaceNews, Space.com

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