Rover Zhurong e sonda Tianwen-1 seguem estudando Marte. O que se sabe até agora?

Rover Zhurong e sonda Tianwen-1 seguem estudando Marte. O que se sabe até agora?

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 02 de Dezembro de 2021 às 09h10
CNSA

O grande volume de dados de Marte obtidos pelo rover chinês Zhurong e seu parceiro de missão, o orbitador Tianwen-1, estão fornecendo a equipe de cientistas uma nova percepção sobre o hemisfério norte do Planeta Vermelho. A expectativa é que mais desta região seja compreendida a medida que as informações se tornem disponíveis internacionalmente.

O Observatório Astronômico Nacional da Academia Chinesa de Ciências (NAOC, na sigla em inglês), já liberou, desde setembro deste, cerca de 200 gigabytes de dados coletados por oito instrumentos do rover e do orbitador, no período de fevereiro a junho.

Concepção artística da dupla Zhurong e Tianwen-1 em Marte (Imagem: Reprodução/Nature Astronomy)

As informações revelaram características notáveis na superfície marciana, como sedimentos e possíveis vulcões de lama, indicando um fluxo de água no passado do planeta. Os cientistas envolvidos na missão investigam se abaixo da superfície já teve água ou gelo.

O cientista planetário Bo Wu, da Universidade Politécnica de Hong Kong, tem investigado estes dados. Segundo ele, as novas informações podem fornecer pistas sobre um antigo oceano na região onde se encontra o rover Zhurong.

Registro da descida do módulo de pouso divulgado pela CNSA em julho de 2021 (Imagem: Reprodução/CNSA)

A missão Tianwen-1chegou a Marte em fevereiro deste ano e, em maio, liberou o módulo de pouso no qual se encontrava o rover Zhurong, pousando na região de Utopia Planitia, no hemisfério norte marciano. A missão deveria durar apenas três meses, mas superou as expectativas. Em quatro meses, o rover percorreu mais de 1.000 metros.

Uma breve pausa

Tanto o orbitador quanto o rover precisaram entrar em um estado de hibernação em setembro, porque Marte estaria localizado do outro lado do Sol em relação a Terra. Deste modo, a comunicação entre os dois planetas foi perdida por um mês.

Durante a conjunção entre Marte, Sol e Terra, as comunicações da missão ficaram suspensas (Imagem: Reprodução/NASA)

Em outubro as comunicações foram retomadas e o Zhurong andou por mais 200 metros em direção ao que pode ter sido a costa de uma antigo oceano. A breve pausa serviu para que as equipes envolvidas na missão começassem a analisar o grande volume de dados.

Até então, a Administração Nacional do Espaço da China (CNSA, na sigla em inglês) só havia liberado imagens e vídeos da missão, incluindo a descida do rover até a superfície. Agora, os pesquisadores se debruçam em decifrar as informações liberadas em setembro para então divulgar novas leituras científicas da missão.

O que a missão Tianwen-1 já descobriu

O conjunto de dados inclui leituras climáticas do planeta como pressão e velocidade do vento, bem como a composição química das rochas, solo, dunas e pistas sobre o que há abaixo da superfície através do radar de penetração. Os pesquisadores alegam que demanda muito tempo para limpar e processar tanta informação.

Região de Utopia Planitia, no hemisfério norte de Marte (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/UArizona)

Um estudo publicado no final de setembro analisou um conjunto de imagens e informações sobre o atristo do movimento das rodas do Zhurong. Segundo ele, os resultados indicam que os lugares por onde rover já passou têm características semelhantes dos solos arenosos compactos encontrados na Terra.

Outro estudo, divulgado em agosto, coletou as imagens de alta resolução do orbitador Tianwen-1 para localizar com precisão as coordenadas do rover sobre a superfície marciana. A equipe de mais de 30 cientistas chineses, espera por mais novidades, incluindo a topografia de Utopia Planitia.

A tendência é que as descobertas ganham um novo fôlego a medida que o NAOC torne público todo este volume de dados.

Próximos passos da Tianwen-1

Assim como os rovers da NASA, o Zhurong ainda deve trabalhar por alguns anos explorando Marte. Já a sonda Tianwen-1 passou por uma recente mudança em sua missão. Ela atuava principalmente como retransmissor dos dados do rover para a Terra, mas agora conduz suas próprias observações.

Ilustração da Tianwen-1 na órbita da Marte (Imagem: Reprodução/CASC)

Segundo o cientista planetário Wenzhe Fa, à frente da análise dos dados do radar do Zhurong, em 11 de novembro deste ano a CNSA começou a testar a antena da Tianwen-1.

A agência chinesa, em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), conduziu um teste, também no mês passado, para verificar se o orbitador Mars Express, da ESA, poderia trabalhar retransmitindo os dados do Zhurong para a Terra — importante passo para a ampliação da colaboração internacional da China.

Fonte: Nature

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