Rover Perseverance usará radar para buscar sinais de vida no interior de Marte

Por Danielle Cassita | 12 de Outubro de 2020 às 15h00
Reprodução/NASA/JPL-Caltech/FFI
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No final de julho, a NASA lançou a missão Mars 2020, com o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity com destino ao Planeta Vermelho. A missão chegará a Marte em 18 de fevereiro do ano que vem, e irá analisar a cratera Jezero para entender melhor seu histórico geológico, além de buscar possíveis sinais de vida microbiana antiga por lá. Para isso, o robô irá analisar o interior do planeta com o instrumento Radar Imager for Mars' Subsurface Experiment (RIMFAX), um radar capaz de penetrar no solo.

Diferente de outros instrumentos que estudam Marte do espaço, o RIMFAX será o primeiro radar posicionado na superfície do planeta, e permitirá que os cientistas tenham dados com resolução muito maior. Esse nível de detalhes será importante para as equipes entenderem como as características da cratera Jezero se formaram ao longo do tempo. Com o RIMFAX, será possível ter detalhes das estruturas presentes a até 10 metros de profundidade, revelando camadas ocultas. Assim, poderão ser identificadas pistas do ambiente do passado marciano, como aquelas que podem guardar as características necessárias para a ocorrência de vida. “Vamos coletar imagens da superfície diretamente abaixo do rover”, disse Svein-Erik Hamran, o principal investigador do instrumento. "Nós vamos poder fazer um modelo 3D das diferentes camadas para determinarmos as estruturas geológicas da subsuperfície".

A antena do RIMFAX destacada em azul (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Embora Marte seja um deserto hoje, os cientistas suspeitam que microrganismos possam ter vivido na cratera Jezero em um passado distante, quando que o planeta tinha mais umidade, e as evidências destas formas de vida estariam preservadas nos sedimentos da cratera. Assim, as informações obtidas pelo RIMFAX irão ajudar a identificar áreas importantes para estudos mais aprofundados pelos instrumentos do rover, que buscarão pistas químicas, minerais e de texturas nas rochas e indiquem vida microbiana — se tiver ocorrido. Depois, as amostras coletadas pelo Perseverance serão seladas em tubos, estes que serão depositados na superfície do planeta para serem resgatados por futuras missões, que trarão esse material para ser estudado na Terra.

Os cientistas acreditam que a cratera Jezero se formou devido à colisão de um grande objeto, que levantou rochas do interior da crosta do planeta. Mais de 3,5 bilhões anos atrás, rios correram pelos canais e encheram a cratera, onde foi criado um lago que originou o delta de um rio e, para Hamran, o RIMFAX vai ajudar a entender como o delta se formou: "Isso não é fácil de fazer só com imagens de superfície, porque tem essa poeira cobrindo tudo e pode não ser possível ver todas as mudanças na geologia". Serão criadas imagens bidimensionais do interior da cratera, e os dados obtidos pelas análises do radar serão combinados com imagens da câmera para criar uma imagem topográfica em 3D.

Um dos principais objetivos do rover Perseverance é a busca por sinais de vida microbiana, mas o rover também estudará o clima do planeta e sua geologia. Além disso, essa missão será a primeira a coletar e armazenar rochas e poeira marcianas.

Fonte: NASA

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