Rocket Lab pode ser a primeira empresa privada a buscar vida em Vênus

Por Danielle Cassita | 15 de Setembro de 2020 às 21h00
NASA/JPL-Caltech

Pois é, o planeta Vênus tomou debates e acendeu discussões sobre a possibilidade de haver vida por lá nesta semana. Enquanto isso, Elon Musk pretende levar humanos para Marte e, Jeff Bezos pensa em pessoas vivendo no espaço de maneira permanente. Já a neozelandesa Rocket Lab pode ser a primeira empresa a investigar a possibilidade de existir de vida em Vênus, sendo que ela poderia iniciar os estudos até antes da NASA ou outras agências espaciais.

Para isso, a ideia da Rocket Lab é lançar o pequeno satélite Photon por meio do foguete Electron até 2023. “Vamos lançar a missão para ver se vamos encontrar vida”, diz Peter Back, fundador e diretor executivo da empresa. Ele ressalta que a fosfina recém-descoberta no planeta reforça a possibilidade de vida por lá, e que eles consideram bastante em olhar o que existe por lá.

O Photon é um satélite de pequenas dimensões que já realizou seu primeiro teste de voo. Se for lançado durante o alinhamento da Terra e Vênus, o Photon chegaria lá em alguns meses para sobrevoar o planeta e tirar algumas fotos. Então, o satélite poderia liberar uma pequena sonda na atmosfera venusiana, que realizaria leituras para procurar sinais de vida nas regiões atmosféricas onde a fosfina foi encontrada. Os dados obtidos pela sonda seriam enviados ao Photon antes de ser destruída, e o satélite os transmitiria para a Terra.

Ainda não sabemos se a fosfina encontrada nas nuvens de Vênus vem de alguma fonte biológica, e só será possível descobrir as origens da substância com alguma nave enviada a Vênus para estudar melhor a questão. Mesmo assim, vale lembrar que a empresa já tinha planos para uma missão com destino a Vênus em busca de vida desde 2019, bem antes da descoberta da fosfina. O foguete Electron, que seria utilizado na missão, é bem menor do que aqueles que são utilizados por concorrentes, e o veículo poderia muito bem enviar uma sonda ao planeta. Então, a Rocket Lab pensa em desenvolver e financiar a missão, e está em busca de parceiros para dividir os custos.

A missão da Rocket Lab seria mais modesta e é possível que leve apenas um instrumento científico. A sonda não sobreviveria muito tempo em Vênus e dificilmente teria uma câmera, mas poderia dar um retorno científico significativo. Para Sara Seager, pesquisadora do Instituto Massachusetts de Tecnologia, um espectrômetro ou instrumento de análise de gás poderia ir à viagem para confirmar a presença de fosfina e analisar outros gases. “Procurar outros gases inesperados poderia ser também um sinal de vida", comenta ela.

Então, a vantagem da empresa é o desenvolvimento rápido da missão, que poderia estar pronta para lançamento bem antes de missões de agências espaciais governamentais. Embora essa pequena missão não tenha capacidades sofisticadas, ela seria a primeira missão desenvolvida para entrar na atmosfera venusiana desde a missão soviética Vega 2, realizada em 1985.

Fonte: New York Times

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