Teoria de antiga habitabilidade de Vênus visa explicar por que ele "morreu"

Por Patrícia Gnipper | 27 de Maio de 2019 às 18h12

O planeta Vênus é um verdadeiro "inferno" aos nossos olhos, já que suas condições extremas de pressão, toxicidade e temperatura são fatais para nós — bem como a qualquer organismo vivo que conhecemos aqui na Terra. O planeta mais quente do Sistema Solar tem temperaturas elevadas o suficiente até para derreter chumbo, e seu ar é uma pluma tóxica composta em sua maior parte por nuvens de dióxido de carbono e ácido sulfúrico. Mas há indícios fortes de que nem sempre Vênus foi infernal desse jeito: diversas teorias e estudos indicam que o planeta já teve uma atmosfera muito mais fria e oceanos líquidos em sua superfície.

E um novo estudo teoriza que a antiga e suposta habitabilidade de Vênus teria sido eliminada por conta de oceanos gigantes e seus efeitos de maré, que teriam lentamente desacelerado a rotação do planeta, o que teria, então, causado sua "morte".

O infernal planeta Vênus (Foto: NASA)

O efeito estufa descontrolado de Vênus teve início há bilhões de anos, e o estudo em questão, apoiado pela NASA e conduzido por uma equipe internacional de cientistas, sugere que a presença deste imenso oceano teria feito com que essa transição se iniciasse. Também publicado no The Astrophysical Journal Letters, o estudo (liderado pelo Dr. Mattias Green, da Universidade de Bangalore) analisou a ideia de tal oceano antigo e a velocidade de rotação do planeta — suspeita-se que Vênus pode ter girado muito mais rapidamente no passado, e na mesma direção da Terra, o que teria sido um fator-chave para que ele fosse capaz de suportar um oceano líquido em sua superfície, podendo até mesmo hospedar vida. Hoje em dia, Vênus gira na direção oposta da Terra, e essa rotação bastante lenta, com sua espessa atmosfera isolante, fazem com que a temperatura superficial do planeta nunca passe da média dos 864 ºC.

Marés agem como um freio na rotação de um planeta por conta do atrito gerado entre as correntes de maré e o fundo do mar. Aqui na Terra, esse efeito muda a duração de um dia em cerca de 20 segundos a cada milhão de anos — em Vênus, o estudo calcula, por meio de simulações, as marés do suposto oceano teriam sido suficientes para atrasar a rotação do planeta em até 72 dias terrestres a cada milhão de anos.

Isso sugere que o freio de maré poderia ter retardado a rotação venusiana em um período de apenas 10 a 50 milhões de anos e, à medida em que a taxa de rotação era reduzida, os oceanos de Vênus devem ter evaporado em seu lado virado para o Sol, levando-o ao efeito estufa e sendo, então, o pivô para o fim de qualquer habitabilidade no planeta.

Para o Dr. Green, "este trabalho mostra como as marés podem ser importantes para remodelar a rotação de um planeta, mesmo que esse oceano só exista por uns 100 milhões de anos, e como as marés são fundamentais para tornar um planeta habitável".

Em teoria, Vênus poderia ser terraformado e se tornar habitável com as seguintes medidas: acelerando sua rotação para reduzir seu efeito estufa, e então bombeando toneladas de hidrogênio para transformar as densas nuvens de CO2 na atmosfera em água e grafite. Vênus teria seus oceanos de volta e (lembrando, em teoria) poderia ser compatível com a vida como a conhecemos.

Com terraformação, Vênus poderia ser assim (Imagem: Wikimedia Commons)

Fonte: Universe Today

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