Propulsor de plasma promete mais autonomia para pequenos satélites; entenda
Por Danielle Cassita • Editado por Patricia Gnipper |

A Hypernova Space Technologies, empresa localizada na Cidade do Cabo, na África do Sul, promete dar mais autonomia a satélites e, para isso, pretende usar um novo sistema de propulsão. A ideia é que essa tecnologia use propulsores de plasma, alimentados por recursos comuns em nosso planeta. Assim, eles podem funcionar em nanossatélites e CubeSats para dar mais mobilidade a eles, evitando colisões perigosas entre objetos na órbita da Terra.
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Hoje, já existem mais de 3.200 nanossatélites em órbita, e este número deve aumentar muito com os lançamentos constantes de empresas que querem criar megaconstelações próprias — a SpaceX, por exemplo, espera que a constelação de satélites Starlink chegue a até 42 mil unidades. Entretanto, os especialistas temem as consequências de tantos objetos em órbita.
Como não têm recursos para mudar de direção, os nanossatélites podem colidir entre si e liberar uma série de detritos orbitais, perigosos para outras missões. Por outro lado, se tivessem recursos de mobilidade, estes satélites poderiam ser mais facilmente recuperados ou descartados quando chegassem ao fim de suas vidas úteis. Mas, como eles foram criados para serem pequenos e baratos, qualquer propulsor a bordo precisaria ser de baixíssimo custo.
É neste cenário que entra uma descoberta feita por Jonathan Lun, fundador da Hypernova Space Technologies. Há cerca de uma década, ele encontrou uma tecnologia de propulsão em que uma reação elétrica vaporiza combustível de metal sólido e, assim, poderia criar um jato capaz de impulsionar satélites. A tecnologia foi pesquisada pela NASA, mas nunca foi totalmente explorada — mesmo com a vantagem de usar combustíveis sólidos de uma forma que o material fique estável o suficiente para ser incorporado a um sistema de propulsão.
Isso poderia acontecer antes do lançamento e, assim, eliminaria a necessidade de abastecimentos de última hora antes de os satélites irem ao espaço. “Eles não têm que se preocupar em abastecê-lo, na toxicidade do material, em alguma coisa se romper e vazar durante o lançamento”, explicou Stephen Tillemans, diretor de engenharia na Hypernova. Segundo ele, a empresa já fez alguns testes ambientais de sucesso e irá lançar sua primeira missão espacial com a Endurosat, empresa sediada na Bulgária.
Juntas, ambas as instituições esperam avaliar o desempenho dessa tecnologia de propulsão no espaço através de medidas da força, para mostrar que o sistema é capaz de mudar a órbita de um satélite. Para isso, a Hypernova está colaborando com outros players da indústria espacial sul-africana, como o departamento de engenharia elétrica e eletrônica na Stellenbosch University, que está desenvolvendo uma tecnologia que poderá permitir que satélites se acoplem.
Futuramente, Lun acredita que a tecnologia de propulsores da Hypernova poderá ser escalonada para satélites maiores e missões mais ambiciosas. “A maioria dos satélites são simplesmente computadores soltos de um foguete, que estão tombando no espaço”, diz ele. “Se pudermos ir de líquidos e gases caros e raros como fontes de combustível, para mover coisas no espaço, para minério de ferro ou outros metais baratos e abandonados, podemos mudar o jogo completamente”.
Fonte: BBC, Hypernova Space Technologies