Satélite do tamanho de uma caixa de cereais irá investigar Júpiteres quentes

Satélite do tamanho de uma caixa de cereais irá investigar Júpiteres quentes

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 23 de Setembro de 2021 às 20h30
JPL-CALTECH/AMES/NASA

O Laboratory for Atmospheric and Space Physics (LASP), da Universidade do Colorado, está trabalhando há anos em um satélite que tem o tamanho de uma caixa de cereais. Trata-se do Colorado Ultraviolet Transit Experiment (CUTE), um CubeSat que irá ajudar os astrônomos a monitorar a física que ocorre na órbita dos exoplanetas conhecidos como “Júpiteres quentes”. O lançamento do CUTE está programado para acontecer no dia 27 de setembro com um foguete Atlas V, da United Launch Alliance.

O CUTE (cuja sigla significa “fofo”, em inglês) irá passar cerca de sete meses acompanhando os fenômenos físicos que acontecem nesses exoplanetas. Esta é a primeira missão que terá um CubeSat para esta finalidade que recebe suporte financeiro da NASA. “É um experimento que a NASA está conduzindo para descobrir quanta ciência pode ser feita com um pequeno satélite", explicou Kevin France, investigador principal da missão.

Rick Kohnert, engenheiro de sistemas do satélite, e Arika Egan (Imagem: Reprodução/Kevin France; NASA/WFF)

Para isso, o CUTE irá orbitar a Terra para analisar os Júpiteres quentes, exoplanetas gigantes gasosos que orbitam suas estrelas bem de perto e, por isso, têm temperaturas tão altas que tornam as condições nada amigáveis para a ocorrência de vida. "Como esses planetas ficam muito perto de suas estrelas, eles recebem uma imensa quantidade de radiação", explicou France. Com o tempo, essa radiação expande a atmosfera desses planetas, que pode se romper e escapar para o espaço.

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É aqui que o CUTE entra: ao longo de sua missão, o satélite vai coletar medidas sobre a velocidade com que os gases estão escapando de quantos exoplanetas conseguir estudar. Assim, as descobertas proporcionadas pelo satélite devem ajudar os cientistas a entender não somente a formação e evolução desses mundos ao longo de bilhões de anos, mas também a compreensão de outros tipos de planetas existentes. "Quanto mais entendermos o escape atmosférico em diferentes lugares, melhor vamos entender o escape como um todo", disse ele, ressaltando que as descobertas poderão ser aplicadas a diferentes tipos de planetas.

Uma das maiores vantagens em usar um CubeSat para isso é o menor custo em comparação com outras missões, que podem chegar facilmente a centenas de milhões de dólares; contudo, nem sempre o potencial dos pequenos satélites foi visto com bons olhos. “Há apenas uma década, muitos da comunidade espacial diziam que as missões de CubeSats eram um pouco melhores que ‘brinquedos’”, comentou Daniel Baker, diretor do LASP. “O CUTE e outras missões com CubeSats estão mudando o cenário da pesquisa básica”, afirmou ele.

Fonte: University of Colorado Boulder

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