Perda do Observatório de Arecibo prejudica análise de objetos próximos da Terra

Por Daniele Cavalcante | 30 de Novembro de 2020 às 18h00
UCF

Embora o Observatório Arecibo não fosse o único capaz de ajudar os astrônomos a identificar asteroides próximos da Terra e suas potenciais ameaças ao nosso planeta, a instalação era uma das mais importantes nesse tipo de pesquisa. É que, enquanto outras ferramentas são mais utilizadas para descobrir e catalogar novos objetos espaciais, o Arecibo era um especialista em analisá-los de perto. E agora ele será desativado, nos deixando um pouco mais desprotegidos.

Nos últimos meses, o Arecibo sofreu dois golpes fatais do destino: dois cabos de sustentação da torre cederam, destruindo parte do prato refletor e prejudicando as operações. Após a análise de diferentes equipes de engenharia, os responsáveis pela instalação concluíram que qualquer tentativa de reparo colocaria em risco a vida dos funcionários envolvidos na tarefa. Com isso, a National Sciencie Foundation (NSF), proprietária do local, anunciou o encerramento das atividades do observatório.

A perda do Arecibo é inestimável para a astronomia, mas ainda mais significativa quando o assunto é defesa planetária — que monitora os objetos próximos de nosso planeta para mitigar as possíveis ameaças de impacto com asteroides. O Arecibo possui um radar planetário, que é incomum e muito útil para fornecer detalhes sobre os objetos próximos já descobertos. Na verdade, ele era um dos poucos sistemas desse tipo, e não será nada fácil substituí-lo. Nenhum outro equipamento era tão eficaz nessa tarefa, e construir um novo será muito caro.

Prato refletor do Observatório Arecibo parcialmente destruído após queda do primeiro cabo (Imagem: Reprodução/University of Central Florida)

Apesar de nunca ter desempenhado um papel na descoberta dos quase 25.000 asteroides próximos da Terra já descobertos, o Arecibo era capaz de dar detalhes precisos sobre a localização, tamanho, forma e superfície de uma rocha espacial. Podia até mesmo dizer se um asteroide é denso ou não, informações essas muito importantes para planejar uma eventual missão de defesa planetária, caso algum objeto esteja em rota de colisão. Para essa tarefa, o radar do Arecibo emitia um feixe em direção ao objeto e, então, a enorme antena de rádio podia captar o eco desse sinal, trazendo dados sobre as características da rocha.

Com todas as informações sobre o asteroide em mãos, os cientistas poderiam executar seus planos de defesa planetária, como a vindoura missão DART, da NASA. Embora exista outra instalação de radar, chamada Goldstone Deep Space Communications Center, localizada na Califórnia, ela não pode substituir o Arecibo. Um dos motivos é que essa instalação tem outras prioridades: faz parte da Deep Space Network que gerencia a comunicação com as naves em todo o Sistema Solar. Outra desvantagem é que o sistema de radar do Goldstone é cerca de 20 vezes menos sensível que o de Arecibo. Portanto, não poderá ser um substituto à altura.

Talvez o radar do Green Bank Observatory, na Virgínia Ocidental, receba melhorias para tentar cobrir um pouco a ausência do Arecibo, mas não será tão eficaz. O Green Bank usará um tipo de radar ligeiramente diferente e será mais vulnerável ao clima, disse ela. Além disso, terá um feixe estreito, o que exigirá dos astrônomos saber exatamente onde apontá-lo, algo que o Arecibo dispensava.

Essa perda acontece em um momento em que a defesa planetária está prestes a receber um reforço nas missões de descoberta de novos asteroides. Atualmente, alguns milhares de objetos são descobertos por ano, e esse número vai acelerar quando o Observatório Vera Rubin começar a funcionar no próximo ano, disse ele. Por enquanto, ainda não há com o que se preocupar — não foram identificados asteroides que apresentem riscos reais ao nosso planeta. Mas a perda do Arecibo torna as coisas muito mais complicadas para os pesquisadores da área.

Fonte: Space.com

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