"Ouça" o vento solar e o campo magnético de Mercúrio, captados pela BepiColombo

"Ouça" o vento solar e o campo magnético de Mercúrio, captados pela BepiColombo

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Outubro de 2021 às 10h31
ESA/ATG medialab

Em 2018, a sonda BepiColombo foi lançada com destino a Mercúrio. Antes de entrar na órbita do planeta para estudá-lo, será necessário realizar alguns sobrevoos planetários. Um deles, em que a nave fez a maior aproximação de Mercúrio, aconteceu no início de outubro, rendendo as primeiras imagens do planeta e dados sobre o ambiente magnético e partículas por lá, coletados a apenas 199 km de sua superfície. Esses dados foram convertidos em sons — e você poderá conferi-los.

A sonificação dos dados magnéticos e do acelerômetro registraram o “som” do vento solar incidindo sobre Mercúrio, além de mostrar também como a estrutura da nave reagiu às mudanças de temperatura e à gravidade fortíssima do planeta. “Esses sobrevoos também oferecem a chance de coletar amostras de regiões ao redor de Mercúrio que não serão acessíveis quando entrarmos em órbita”, explicou Johannes Benkhoff, cientista de projeto da BepiColombo.

Dados do sobrevoo

Enquanto atravessou a magnetosfera de Mercúrio, a BepiColombo conseguiu informações sobre as partículas próximas do planeta e dos limites de seu campo magnético. No momento de aproximação máxima, o espectrômetro PHEBUS coletou dados durante uma hora, focando nos elementos presentes na exosfera de Mercúrio, vindos tanto do vento solar quanto da superfície do planeta. Quando a sonda saiu da sombra do planeta, os dados indicaram picos de hidrogênio e cálcio. Mais detalhes da composição da exosfera serão descobertos quando a nave entrar na órbita de Mercúrio.

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Durante o sobrevoo, o espectrômetro Mercury Gamma-ray and Neutron Spectrometer (MGNS) identificou fluxos de nêutrons e de raios gama, emissões consideradas o resultado das interações entre raios cósmicos e as camadas superiores da superfície do planeta. Essas emissões também são valiosas para o entendimento da composição da superfície de Mercúrio, e os dados obtidos estão sendo analisados detalhadamente pelos cientistas da missão.

Já os sensores do instrumento Mercury Planetary Orbiter (MPO) coletaram dados do vento solar e do campo magnético ao redor do planeta, incluindo dados do hemisfério sul — até então, somente o hemisfério norte havia sido estudado durante a missão Messenger, da NASA. Esses dados foram convertidos em sons, que mostram as mudanças da intensidade do campo magnético e vento solar, indicando também o momento em que a nave atravessou uma fronteira turbulenta, que divide a magnetosfera, e o vento solar.

Confira:

O MPO conta também com o acelerômetro Italian Spring Accelerometer (ISA), instrumento que registrou as acelerações conforme a nave era afetada pela forte gravidade e pelas mudanças de temperatura, causadas pela entrada e saída da sombra de Mercúrio. “Nos picos de aceleração que apareceram em nossas telas, pudemos ver os efeitos de maré de Mercúrio na estrutura da BepiColombo, a queda da pressão da radiação solar na sombra do planeta e o movimento do centro de massa da nave, devido à flexão dos painéis solares”, explicou Carmelo Magnafico, do Italian National Institute for Astrophysics (INAF).

Você pode escutar o áudio no vídeo abaixo: 

A manobra de assistência gravitacional realizada em outubro foi a primeira conduzida em Mercúrio e a quarta de uma série com o total de nove sobrevoos. Ao longo de sua viagem de sete anos ao planeta mais interno do Sistema Solar, a BepiColombo precisou realizar um sobrevoo na Terra, dois em Vênus e seis em seu planeta-alvo, para conseguir entrar na órbita de Mercúrio em 2025.  

Fonte: ESA

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