O que revelam as primeiras fotos que a BepiColombo fez de Mercúrio?

O que revelam as primeiras fotos que a BepiColombo fez de Mercúrio?

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Outubro de 2021 às 15h40
ESA

Na semana passada, recebemos novas fotos de Mercúrio, feitas pela sonda BepiColombo. As imagens são fruto de uma missão conjunta realizada pela Agência Espacial Europeia (ESA) e a JAXA (a agência espacial do Japão), com o primeiro planeta do Sistema Solar como destino, passando a apenas 200 km da superfície. Assim, a primeira visita rendeu registros de Mercúrio que, além de serem espetaculares, nos adiantam um pouco sobre o que esperar dos segredos do planeta. 

A sonda BepiColombo é formada por duas naves conectadas e uma unidade de propulsão instalada em uma configuração empilhada, junto de três pequenas câmeras de monitoramento criadas para fotografar o planeta durante os sobrevoos. Essas câmeras também ajudam a monitorar a posição dos painéis solares que alimentam a sonda, do magnetômetro e das antenas de comunicação.

A ideia é que, ao longo de sua missão, a BepiColombo realize seis sobrevoos em Mercúrio. Durante o primeiro deles, as câmeras de monitoramento produziram alguns registros do planeta: a câmera 3, por exemplo, flagrou parte do hemisfério sul do nosso vizinho, enquanto o Sol nascia na região de Astrolabe Rupes, formação cujo nome é inspirado em um navio de exploração da Antártida.

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O Sol nascendo em Astrolabe Rupes (Imagem: Reprodução/ESA/BepiColombo/MTM)

Essa estrutura geológica é longa e curvada, com 250 km de extensão. Ela nos indica onde aconteceram contrações causadas pelo resfriamento de Mercúrio, que fizeram com que sua crosta fosse empurrada para um terreno próximo devido ao processo. A Lua tem algumas estruturas parecidas com essa, só que são bem menores; assim, Mercúrio é considerado o único corpo celeste próximo de nós em que há formações do tipo com grandes dimensões — e conhecidas. 

Passados quatro minutos, a perspectiva da câmera mudou e a lente revelou uma área mais ampla, com duas estruturas interessantes. Uma delas é a cratera de Haydn, que mede 251 km de diâmetro, cujo interior é relativamente raso. Na prática, isso sugere que já houve inundações de lava por lá. A outra é Pampu Facula, uma região brilhante do planeta que, provavelmente, foi formada por erupções vulcânicas explosivas. Ambas correspondem ao longo histórico vulcânico de Mercúrio, que teve atividade intensa há mais de 3 bilhões de anos.

Esta imagem, com um campo de visão mais amplo, foi feita a 2.687 km de altitude (Imagem: Reprodução/ESA/BepiColombo/MTM)

Além destas imagens, duas das câmeras da sonda produziram registros do hemisfério norte do planeta, junto da região da cratera Calvino, uma região importante que pode ajudar os astrônomos a descobrirem mais sobre o que há nas camadas da crosta do planeta. As fotos mostram ainda um pouco da cratera de Lermontov, que parece brilhar por ter depósitos vulcânicos e locais em que um composto volátil está sendo perdido para o espaço — por enquanto, o processo por trás disso é desconhecido.

Imgem feita a 2.418 km, mostrando o hemisfério norte de Mercúrio (Imagem: Reprodução/ESA/BepiColombo/MTM)

A BepiColombo foi lançada em 2018 e, embora tenha visitado seu destino bem de pertinho, ainda tem uma longa jornada pela frente. É que ela ainda terá que realizar sobrevoos para conseguir alcançar a órbita do planeta, e deverá sobrevoar Mercúrio novamente em 23 de junho de 2022. Assim, a expectativa é que a missão científica principal da BepiColombo comece em 2026.

Fonte: The Conversation

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