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O que as sondas BepiColombo e Solar Orbiter viram e ouviram ao sobrevoar Vênus?

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  | 

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ESA/NASA/NRL/SoloHI/Phillip Hess
ESA/NASA/NRL/SoloHI/Phillip Hess

Nesta semana, as sondas Solar Orbiter e BepiColombo, ambas da Agência Espacial Europeia (ESA) em parceria com as agências espaciais de outros países, realizaram um sobrevoo histórico de Vênus a apenas 33 horas de intervalo uma da outra. A primeira sobrevoou o planeta a 7.995 km de distância no dia 9 de agosto, enquanto a outra passou a apenas 552 km da superfície no dia seguinte — e as visitas, embora breves, renderam imagens e sons incríveis do nosso planeta vizinho.

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Os dois sobrevoos exigiram um trabalho de navegação espacial de altíssima precisão, para garantir que as naves iriam nas trajetórias de aproximação corretas. Tudo correu bem e o instrumento Italian Spring Accelerometer (ISA), a bordo da BepiColombo, registrou com alta sensibilidade a aceleração medida pela nave. Depois, a equipe traduziu os dados em frequências, para poderem ser escutados pelos ouvidos humanos.

O resultado é o som abaixo — perceba alguns efeitos curiosos, causados pela gravidade do planeta interagindo com a estrutura da nave e pela resposta dela às rápidas mudanças de temperatura conforme se aproximava de Vênus.

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Já era esperado que a BepiColombo apresentasse um aumento de temperatura rápido conforme se deslocava do lado noturno de Vênus para o diurno, e essas diferenças se mostraram nas medidas dos instrumentos da sonda. O Mercury Magnetospheric Orbiter (MMO), posicionado na estrutura de proteção, registrou um aumento de 110 ºC em seus painéis solares; já o interior da nave mostrou um aumento que não passou dos 3 ºC, o que mostra, na prática, a eficácia dos componentes de isolamento térmico.

Como nenhuma das missões têm câmeras científicas de alta resolução a bordo, não há fotos de alta resolução do planeta. Porém, a boa notícia é que foi possível realizar registros com outros instrumentos das missões: o SoloHI, da Solar Orbiter, observou o lado noturno de Vênus alguns dias antes do momento de maior aproximação. Já quando estava mais próxima do sobrevoo, o instrumento fez imagens do lado diurno do planeta, que resultaram na animação do vídeo abaixo.

Confira como Vênus se move no campo de visão, da esquerda para a direita, enquanto o Sol fica fora do enquadramento porque estava mais para o canto superior:

A Solar Orbiter é uma missão da ESA em colaboração com a NASA, e a BepiColombo é uma parceira com a agência espacial japonesa JAXA. Ambas têm diferentes objetivos, mas as duas precisam dos sobrevoos para chegar a seus destinos. A BepiColombo entrará na órbita de Mercúrio em 2025, e a Solar Orbiter ainda deverá sobrevoar a Terra para, assim, inclinar sua órbita e conseguir observar os polos do Sol. Assim, as duas ainda têm mais um sobrevoo a realizar neste ano: na noite do dia 1 para 2 de outubro, a Bepicolombo irá fazer seu primeiro sobrevoo de Mercúrio, passando a apenas 200 km do planeta. Já a Solar Orbiter irá realizar seu último sobrevoo da Terra no dia 27 de novembro, passando por nosso planeta a 460 km de distância para, assim, dar início a sua missão principal.

Fonte: ESA