O primeiro nanossatélite de madeira será lançado para testes ainda neste ano

O primeiro nanossatélite de madeira será lançado para testes ainda neste ano

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 15 de Junho de 2021 às 10h20
Arctic Astronautics

O CubeSat WISA Woodsat será o primeiro satélite de madeira a ser lançado à órbita da Terra, o que está programado para acontecer ainda neste ano. O nanossatélite terá como principal objetivo testar a durabilidade dos painéis de madeira compensada nas condições extremas do espaço, além de avaliar sua aplicação em missões futuras. O Woodsat faz parte de uma missão projetada pela empresa finlandesa Arctic Astronautics, responsável por desenvolver o Kitsat, um CubeSat desenvolvido para fins educacionais em universidades de todo o mundo.

Com tamanho de 10x10 cm e peso de apenas 1 kg, o Woodsat utiliza um tipo especial de madeira compensada, chamada de WISA, para a construção de seus painéis de superfície. O nanossatélite será equipado com duas câmeras, dentre as quais uma será instalada em um bastão metálico de selfie, de modo a permitir que a equipe responsável pela missão possa avaliar quais mudanças e danos a superfície de madeira sofre durante sua estadia no espaço.

O principal engenheiro do projeto, Samuli Nymanm, explica que o material-base da madeira compensada é a bétula, mesma serragem encontrada na fabricação de móveis. Nymanm, que também é cofundador da Arctic Astronautics, acrescenta: "A principal diferença é que o compensado comum é muito úmido para uso no espaço, então colocamos nossa madeira em uma câmara térmica de vácuo para secar. Em seguida, também realizamos a deposição da camada atômica, adicionando uma camada de óxido de alumínio muito fina".

Concepção artística do Woodsat em operação (Imagem: Reprodução/Arctic Astronautics)

A ideia é que o óxido de alumínio evite que a madeira libere qualquer gás quando estiver no ambiente espacial. Essa camada também será responsável por proteger a superfície do Woodsat contra a exposição ao oxigênio atômico, encontrada nos limites da atmosfera terrestre. Esse oxigênio é corrosivo e surge quando a radiação solar quebra as moléculas normais de oxigênio. Além disso, os engenheiros também testarão alguns outros tipos de vernizes e lacas para as juntas de madeira.

O Woodsat também terá como objetivo testar o uso de um novo material plástico eletricamente condutor e impresso em 3D, o qual poderá abrir caminhos para a impressão de cabos de energia e dados diretamente do espaço — tudo com apoio da Agência Espacial Europeia (ESA). O pequeno satélite será alimentado por nove pequenas células solares e, como carga útil, terá um rádio amador para transmitir sinais para os entusiastas aqui na Terra.

Anteriormente, a Arctic Astronautics lançou um pequeno satélite de madeira através de um balão meteorológico, mas o equipamento só chegou até a Linha de Kármán, região compreendida entre 500 e 600 km de altitude e conhecida como o limite entre a atmosfera e o espaço. Agora, o Woodsat está programado para ser lançado a altitudes maiores em novembro deste ano, a partir do foguete Electron, da Rocket Lab.

Fonte: Space.com

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