Novo conceito de sonda propõe coletar amostras de Titã e trazê-las para a Terra

Por Wyllian Torres | Editado por Claudio Yuge | 13 de Maio de 2021 às 22h20
NASA

Desde que a missão Cassini-Huygens confirmou a presença de grandes lagos de metano em Titã, lua de Saturno, o pequeno mundo tem chamado a atenção de cientistas. Graças aos avanços da ciência e tecnologia, grandes ideias podem ser transformadas em missões espaciais, como esta desenvolvida por pesquisadores da Glenn Research Center da NASA, em Cleveland. A equipe elaborou um novo conceito de uma sonda para ser enviada até Titã e, então, coletar amostras da superfície, trazendo-as à Terra.

A nova concepção de sonda para exploração de Titã foi selecionada pelo programa Innovative Advanced Concepts (NIAC) da NASA, e, para dar início aos estudos de viabilidade do projeto, a equipe de cientistas recebeu cerca de US $125.000. Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missão Científica da NASA, explica que o NIAC é uma forma pela qual a agência promove ideias “selvagens” que precisam de uma década ou mais para serem desenvolvidas. “Podem eventualmente levar a inovações revolucionárias que contribuem para missões novas e emocionantes”, acrescenta Zurbuchen, que também lembra que as missões de hoje já foram ideias “selvagens” um dia.

Concepção artística da missão de retorno de amostras de Titã. O pequeno helicóptero à esquerda é o Dragonfly, previsto para ser lançado em 2026 para lá (Imagem: Reprodução/NASA)

A equipe responsável por desenvolver o conceito da devolução de amostras de Titã é composta por cientistas e engenheiros do Compass Lab da Genn, um grupo multidisciplinar de engenharia simultânea do centro de pesquisas. Antes disso, a equipe havia pensado em um submarino que fosse capaz de explorar as regiões costeiras dos grandes lagos da lua e a profundeza de seus mares.

Mas, por que Titã?

O principal investigador científico do Compass, Geoffrey Landis, diz que Titã é um mundo incrível porque ele é coberto de compostos orgânicos protegidos pela espessa atmosfera de nitrogênio, além de seus mares de metano — de tamanhos e profundidades parecidos com os maiores lagos encontrados na Terra. “E sob sua crosta, Titã é um mundo com um segundo oceano de água líquida escondido bem abaixo da superfície”, acrescenta Landis.

Entre os compostos presentes na superfície e na atmosfera de Titã, é encontrada tolina, que se forma quando os raios ultravioletas do Sol atingem o metano, e que só é localizada no Sistema Solar externo, ou seja, nos planetas depois de Marte. Os cientistas acreditam que a tolina pode ser um dos blocos primordiais do nosso sistema planetário, podendo fornecer pistas até mesmo quando a origem da vida em nosso planeta. Uma sonda enviada para lá seria capaz de fazer análises deste material, mas somente um estudo detalhado feito em laboratórios sofisticados na Terra seria capaz de fornecer uma compreensão dele — por isso a importância de trazer amostras.

Titã é a maior lua de Saturno e a segunda maior do Sistema Solar, ficando atrás apenas de Ganimedes (Imagem: Reprodução/NASA)

Por conta da espessa camada atmosférica de Titã, a equipe acredita que pousar na lua seja relativamente fácil. E como a lua é rica em materiais que podem alimentar o retorno da missão, o objetivo também é investigar tecnologias que possam produzir o combustível a partir dos recursos locais. “Nosso objetivo é projetar um conceito de missão moderno e econômico que possa encontrar e usar recursos no destino”, salienta Landis.

Atualmente, a NASA já desenvolve uma missão para estudar Titã. Chamado Dragonfly, o pequeno helicóptero de 8 hélices está programado para ser lançado em 2026 rumo à lua de Saturno para explorar sua atmosfera e superfície durante dois anos. A viagem daqui até lá dura cerca de sete anos. Enquanto isso, o projeto desenvolvido pelo Compass Lab está em fase inicial, ou seja, ainda não é uma missão oficial da NASA — e muitas tecnologias necessárias para missões atuais e futuras podem surgir das várias fases de estudo.

Fonte: NASA

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