Titã será o próximo mundo do Sistema Solar a receber sonda da NASA

Por Patrícia Gnipper | 27 de Junho de 2019 às 18h18
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Em janeiro, a NASA disse que decidiria, ainda em 2019, se levaria adiante o projeto Dagonfly para lançar um helicóptero (que na verdade seria um misto de drone com robô exploratório) à lua Titã, de Saturno. E nesta quinta (27), a agência espacial dos EUA confirmou que Titã será mesmo seu próximo alvo no Sistema Solar.

"Avançando em nossa busca pelos blocos de construção da vida, a missão Dragonfly voará várias vezes para amostrar e examinar locais ao redor da lua gelada de Saturno", disse a NASA em comunicado oficial. A missão será lançada em 2026 e chegará a seu destino em 2034, com o helicóptero rodeando Titã em busca de processos químicos prebióticos em comum entre o satélite de Saturno e a Terra.

Esta será a primeira vez em que a agência espacial lançará um drone com vários rotores para outro planeta — o Dragonfly tem oito rotores e funciona como um grande drone altamente tecnológico. Para voar, o drone se aproveitará da densa atmosfera de Titã, com densidade quatro vezes maior que a da Terra.

Conceito da Dragonfly em Titã (Imagem: NASA)

Acredita-se que Titã seja um análogo à Terra primitiva, e estudar este satélite natural de pertinho pode fornecer mais pistas sobre como a vida deve ter surgido em nosso planeta. Por cerca de três anos, mais ou menos, a Dragonfly explorará diversos ambientes de Titã, incluindo suas dunas orgânicas e crateras de impacto — locais onde água líquida e materiais orgânicos essenciais à vida existiram juntos possivelmente há dezenas de milhares de anos.

"Visitar este misterioso mundo oceânico poderá revolucionar o que sabemos sobre a vida no universo. Esta missão de ponta teria sido impensável há apenas alguns anos, mas agora estamos prontos para o fantástico voo da Dragonfly", declarou entusiasmado o administrador da NASA, Jim Bridenstine.

Com voos curtos, o drone explorará inicialmente os campos de dunas equatoriais chamados de Shangri-La, que são semelhantes às dunas lineares da Namíbia, na África Austral. Ao longo do caminho, o helicóptero fará algumas paradas para coletar amostras de áreas com geografia diversa, até que finalmente chegará à cratera Selk, onde há evidências de que, no passado, existiu água no estado líquido.

A sonda voará mais de 175 quilômetros (quase o dobro da distância que até hoje foi percorrida por todos os rovers de Marte combinados). A lua Titã é maior do que o planeta Mercúrio e é o segundo maior satélite natural do Sistema Solar. Por estar muito longe do Sol, sua temperatura superficial é de cerca de -179 graus Celsius, e sua pressão superficial é 50% mais intensa do que a da Terra.

A missão Dragonfly agora faz parte do programa New Frontiers da NASA, que inclui a missão New Horizons (que estudou Plutão e mais recentemente sobrevoou o objeto transnetuniano Ultima Thule), a missão Juno (que estuda Júpiter), e a OSIRIS-REx (que estuda o asteroide Bennu).

Fonte: NASA

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