Recursos da lua Titã, em Saturno, podem abastecer nave para trazer amostras

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 17 de Março de 2021 às 14h10
NASA

Em 2019, a missão Dragonfly foi selecionada para estudar a lua Titã, de Saturno. A ideia é que a missão, que contará um helicóptero misto de drone com robô exploratório, siga na busca pelos blocos fundamentais para a construção vida, no Sistema Solar. Agora, durante o programa NASA Innovative Advanced Concepts (NIAC), uma equipe propôs enviar também uma nave secundária para trazer amostras coletadas pela Dragonfly, que se abasteceria do metano presente em Titã.

Como precisou ser adiada, a Dragonfly deverá chegar lá apenas em 2036 para buscar respostas para perguntas essenciais da astrobiologia. Titã rende grande interesse científico porque é a única lua no Sistema Solar com uma atmosfera quatro vezes mais densa que a da Terra, é rica em nitrogênio, tendo também nuvens de metano. Além disso, os pesquisadores consideram que algumas moléculas na atmosfera de Titã sugerem que essa lua pode ter sido semelhante à Terra no passado.

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Conceito da missão Dragonfly em Titã (Imagem: Reprodução/Johns Hopkins APL)

Liderada por Steven Oleson, a proposta da equipe recebeu o nome "Titan Sample Return Using In-Situ Propellants", e descreve uma missão de retorno de amostras com o uso de dos recursos disponíveis na superfície da lua para serem usados como propelentes. Geralmente, as missões de retorno de amostras precisam levar propelente suficiente para conseguirem fazer a viagem de volta para casa, o que acaba aumentando a massa para o lançamento e, portanto, os custos.

Por isso, uma possibilidade para evitar estes excessos é usar uma bateria nuclear para a missão, que seria capaz de fornecer energia por alguns anos — algo que combina com a proposta da futura visitante de Titã. Como a Dragonfly passará 2,7 anos explorando essa lua, ela vai contar com o sistema Multi-Mission Radioisotope Thermoelectric Generator (MMRTG), em que a eletricidade é gerada pelo calor causado pelo decaimento do plutônio.

Depois, vem a questão relacionada ao retorno das amostras coletadas, que é onde entra o conceito. A equipe propôs uma arquitetura que consiste em um lander e um veículo de ascensão: quando ambos se posicionarem na superfície de Titã, eles podem receber as amostras coletadas pela Dragonfly. Depois, como a ideia é aproveitar os recursos locais disponíveis por lá, o lander poderá fornecer metano líquido e combustível de oxigênio, produzido com o gelo local, para o veículo de ascensão.

Representação do lançamento do veículo com as amostras (Imagem: Reprodução/Katherine Miller)

Este veículo seria carregado com as amostras coletadas pelo helicóptero, e iria trazê-las de volta para a Terra. Por isso, como não teria propelente próprio, o elemento de retorno das amostras teria massa geral menor, o que implica em menores custos para o lançamento. Essa é uma iniciativa bem diferente dos conceitos convencionais das missões que envolvem coleta de amostras, e poderá conferir grande retorno científico para a missão.

Aliás, esse conceito lembra bastante aquele em que a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) vêm trabalhando em uma parceria: o rover Perseverance pousou na cratera Jezero, em Marte, e irá coletar amostras de solo e de rochas. Este material será distribuído em cerca de 40 tubos, que serão depositados em diferentes lugares da região, e vão ficar por lá até que um rover da ESA chegue para buscá-los. Depois, o veículo irá entregar os tubos para um módulo de ascensão na superfície, que trará as amostras para a Terra.

Fonte: Universe Today

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