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Novo centro quer combater os efeitos das constelações de satélites na astronomia

Por| Editado por Patricia Gnipper | 07 de Fevereiro de 2022 às 15h30

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Victoria Girgis/Lowell Observatory
Victoria Girgis/Lowell Observatory

Um novo centro foi criado pela União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) para atuar como mais uma ferramenta no combate à ameaça que as megaconstelações de satélites representam para as observações astronômicas. Trata-se do Center for the Protection of the Dark and Quiet Sky from Satellite Constellation Interference, que será coordenado pelo observatório Square Kilometer Array Observatory (SKAO) e National Science Foundation's National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory (NOIRLab).

A ideia da instituição é que ela seja uma forma de unir a comunidade astronômica às operadoras e reguladoras das megaconstelações de satélites para, assim, tentar encontrar soluções para proteger a astronomia baseada em solo. Para isso, a instituição irá coordenar iniciativas internacionais, pesquisas e defesas relacionadas à redução dos efeitos de interferência da luz e rádio em observações científicas.

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Siegfried Eggl, membro do corpo docente da University of Illinois Urbana-Champaign, foi selecionado para participar do novo centro. Segundo ele, o foco é que a instituição seja, principalmente, um espaço de trocas entre as partes interessadas, funcionando como um ambiente seguro para preocupações serem ouvidas e soluções serem discutidas. “Naturalmente, haverá relatórios e recomendações para agências de todo o mundo, mas a política precisa ser elaborada por reguladores”, explicou.

O trabalho do centro será realizado através de quatro diferentes grupos. Um deles é o SatHub, que coletará dados de astrônomos profissionais e amadores, incluindo imagens dos rastros de satélites, enquanto incentiva que empresas compartilhem dados para os profissionais da área conseguirem reduzir melhor os efeitos dos satélites em seu trabalho. Enquanto isso, outro irá se comunicar com especialistas da indústria.

Este contato será voltado para tentar fazer com que as empresas criem satélites menos reflexivos, e evitem as radiofrequências usadas por telescópios; haverá ainda um grupo dedicado a recomendações de políticas nacionais e internacionais. Por fim, um último grupo irá coordenar o engajamento da comunidade e colaborações com comunidades indígenas, ambientalistas, grupos de astroturismo e outros que tenham interesse em limitar a poluição luminosa, para preservar a escuridão do céu.

Os riscos das megaconstelações de satélites

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Durante a conferência, Piero Benvenuti, diretor do centro, alertou que as megaconstelações de satélites representam uma ameaça mais grave para a astronomia do que a poluição luminosa.

“No passado, a fonte principal de interferência era a poluição luminosa das luzes urbanas, as chamadas ‘luzes artificiais’ durante a noite”, disse. “Mas, mais recentemente, o impacto das grandes constelações de satélites de comunicação se tornou uma preocupação mais séria por causa da invasividade onipresente”.

No passado, regiões remotas dos desertos no Chile, na Austrália e na África do Sul funcionam como refúgio das luzes e redes de comunicação; agora, não há local para os astrônomos escaparem dos milhares de satélites orbitando o planeta. “Até o fim da década, mais de 5.000 satélites estarão acima do horizonte a qualquer hora”, destacou Connie Walker, uma das diretoras do novo centro.

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Desde 2019, a SpaceX já lançou, sozinha, mais de 2.000 satélites da constelação Starlink, sendo que o plano da empresa é chegar a mais de 40 mil deles em órbita. Em paralelo, a OneWeb planeja criar uma constelação com cerca de 2.000 satélites, enquanto outros players, como a Amazon, também vêm trabalhando em projetos próprios do tipo. Embora estas constelações ainda estejam em desenvolvimento, os problemas causados por elas já foram sinalizados — um estudo recente revelou que 20% das imagens feitas no crepúsculo contêm rastros de satélites.

Algumas das iniciativas desenvolvidas pelo novo centro serão focadas em soluções técnicas e de software, que podem ser implementadas em observatórios como uma forma de mitigar estes efeitos. Mesmo assim, os astrônomos esperam que as operadoras das megaconstelações concordem em realizar ajustes em seus satélites para reduzir os impactos. A SpaceX, por exemplo, utilizou revestimentos escuros em seus dispositivos que os tornaram invisíveis para os olhos humanos, mas não para telescópios.

Fonte: NOIRLab; Via: Space.com, WiredGrainger College of Engineering