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Nova rajada rápida de rádio quebra recordes e intriga astrônomos

Por| Editado por Patricia Gnipper | 19 de Outubro de 2023 às 17h43

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ESO/M. Kornmesser
ESO/M. Kornmesser

Uma nova rajada rápida de rádio (FRB, na sigla em inglês) detectada pelos astrônomos apresenta características diferente daquelas descritas pelos modelos teóricos. Os pesquisadores descobriram que a medida da dispersão dos comprimentos de onda da rajada não combina com as previsões feitas pelas teorias.

O fenômeno misterioso foi detectado por uma equipe internacional de pesquisadores com o Australian Square Kilometer Array Pathfinder (ASKAP), e o nomearam como 20220610A. Poderia ser uma FRB como as demais, porém essa rajada viajou muito mais no espaço do que deveria — um fator de aumento de 3,5 em relação às demais detectadas até então, ou seja, um novo recorde de distância.

Outra característica peculiar nessa rajada é que os comprimentos de onda emitidos por ela apresentaram medidas de dispersão diferentes do que se esperaria nesse tipo de evento. A medida de dispersão diz o quanto um comprimento de onda da luz emitida sofre atrasos ao passar por um meio físico, ou até mesmo por um campo eletromagnético.

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Isso se refere ao fenômeno da dispersão descrito por Isaac Newton no experimento clássico do prisma. Quando a luz visível, por exemplo, passa por um meio como prismas ou gotículas de água, seus componentes — as cores do arco-íris — são separados, cada um percorrendo um caminho diferente. Os comprimentos de onda mais curtos (como violeta e azul) passam por caminhos menores e, portanto, ficam à frente das cores de comprimentos mais longos (como o vermelho e o amarelo).

A medida de dispersão é um cálculo que revela o quanto cada cor da luz emitida sofreu atrasos em seus trajetos. Além do prisma e gotículas de água, esse efeito também ocorre o tempo todo no espaço — quando a luz passa por nuvens de poeira ou gases, por exemplo. Essa é uma importante propriedade luminosa para inferir sobre as fontes emissoras dessas luzes.

No caso da FRB 20220610A, tanto a distância percorrida — oito bilhões de anos — quanto a medida de dispersão surpreenderam os cientistas. Os modelos teóricos e hipóteses que tentam desvendar as FBRs não conseguem explicar essa rajada em específico, colocando os astrônomos de volta às pranchetas para apresentar novas propostas.

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Rajadas rápidas de rádio ainda não têm uma explicação unânime, embora muitos pesquisadores suspeitem que os magnetares sejam os responsáveis por elas. Esses eventos liberam mais energia em um milissegundo do que o Sol em três dias e, considerando a variedade encontrada, ainda não há uma hipótese que explique todas elas de uma só vez.

O estudo sobre as peculiaridades da FRB 20220610A foi publicado na Science.

Fonte: ESOScience