Nova minilua temporária da Terra pode ser o resto de um foguete lançado em 1966

Por Danielle Cassita | 13 de Outubro de 2020 às 13h50
San Diego Air and Space Museum via AP

Em setembro, pesquisadores identificaram o 2020 SO, um objeto misterioso que deverá se tornar uma minilua do nosso planeta no mês que vem. Ainda não se sabe exatamente do que o objeto se trata, mas é possível que, ao invés de uma rocha cósmica, o 2020 SO seja o que restou de um velho foguete de uma missão realizada na Lua. Assim, depois de 54 anos, ele estaria voltando para casa — mas ainda são necessárias mais observações para identificá-lo com precisão. 

Paul Chodas, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), está animado com o visitante e especula que o “asteroide” 2020 SO seja, na verdade, o estágio superior do foguete Centauro, que lançou com sucesso o lander Surveyor 2 à Lua em 1966, antes de ser descartado. Ali, um dos propulsores do lander teve problemas e o veículo acabou batendo na Lua. Mesmo assim, o foguete passou por ela e começou a orbitar o Sol como lixo espacial, não sendo mais visto desde então. 

Técnicos trabalhando no foguete Atlas Centaur 7 (Imagem: Convair/General Dynamics Astronautics Atlas Negative Collection/San Diego Air and Space Museum via AP)

Enquanto isso, um telescópio no Havaí identificou, no mês passado, o objeto misterioso vindo em nossa direção, enquanto realizava uma busca para identificar possíveis rochas perigosas ao nosso planeta. Com base em seu brilho, o objeto parece ter 8 metros — dimensão que combina com o tamanho do velho Centauro, que tinha menos de 10 metros. Chodas ficou intrigado pela órbita do objeto, que é quase circular e se parece bastante com a da Terra, o que não é comum para um asteroide. “Pista número um”, disse. Além disso, o objeto está o mesmo plano que a Terra, algo curioso se considerarmos que os asteroides costumam passar por nós em ângulos diferentes. Por fim, ele está se aproximando a 2.400 km/h, uma velocidade considerada baixa perto dos padrões de asteroides.

Assim, à medida que ele se aproxima da Terra, os astrônomos devem conseguir definir melhor sua órbita e determinar os efeitos da radiação e temperatura do Sol no objeto. Se realmente for o que restou do velho Centauro — ou seja, uma lata vazia e leve —, ele terá movimento diferente das rochas espaciais pesadas menos suscetíveis a forças externas. É assim que os astrônomos diferenciam asteroides de lixo espacial, uma vez que ambos se parecem com simples pontos se movendo no céu.  

Cauteloso, Chodas acrescenta que pode estar errado, mas ressalta também que essa é a primeira vez que todas essas pistas podem ser relacionadas a um lançamento conhecido. " Novos dados seriam úteis para termos certeza", disse ele. "Caçadores de asteroides no mundo todo vão continuar observando esse objeto para coletar estes dados, e estou ansioso para ver como isso vai se desenvolver!".

Em suas voltas pelo Sol, o objeto já passou por nós em 1984 e 2002, mas estava escuro demais para ser observado. Agora, é esperado que o OS 2020 passe quatro meses circulando a Terra quando for capturado em outubro, antes de seguir viagem em direção ao Sol.

Fonte: Phys.org

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