Nova técnica permite identificar lixo espacial em plena luz do dia

Por Daniele Cavalcante | 05 de Agosto de 2020 às 22h15
Dotted Yeti/Shutterstock.com

Para tentar contornar a ameaça que o lixo espacial representa aos equipamentos em operação, uma equipe de cientistas propôs uma maneira de detectar detritos na órbita do nosso planeta mesmo durante o dia. Isso poderá ajudar os satélites a se desviar da nuvem de lixo que orbita o planeta - e que aumenta a cada ano.

Durante os mais de 60 anos de exploração espacial, a humanidade já deixou cerca de 22.000 objetos grandes orbitando a Terra. Se considerarmos os pequenos entulhos de até 1 cm, podemos chegar a um milhão de tralha vagando acima de nós. Estima-se que sejam quase 8.000 toneladas de objetos, incluindo satélites que deixaram de funcionar e pedaços de foguetes de missões espaciais.

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Claro, o espaço ao redor do nosso planeta é muito grande, e ainda é possível orbitar a Terra com certa tranquilidade. Ainda assim, há um certo risco de um acidente acontecer, principalmente porque pode ser bem difícil detectar cada entulho por lá. No entanto, uma equipe de pesquisadores da Áustria desenvolveu um software de detecção e usou uma nova técnica para “caçar” o lixo orbital.

É possível detectar os detritos usando lasers, mas até agora esse método funcionava apenas algumas horas no crepúsculo. É que nesses momentos, a estação de detecção fica no escuro e os detritos ainda são iluminados pelo Sol. Assim, podemos detectar o brilho refletido pelo objeto sem que a luz atrapalhe o instrumento aqui na Terra. Mas isso ainda é bastante limitado.

Para superar essa limitação, a equipe da Áustria combinou um detector telescópico e um filtro para aumentar o contraste dos objetos que aparecem no céu durante o dia. Assim, poderia ser possível detectar as tralhas mesmo em outros horários além do crepúsculo. Já o software de detecção criado por eles, prevê quando determinados objetos podem ser observáveis ​​e usa avistamentos para aprimorar sua precisão.

Essa técnica pode aumentar o tempo de observação do lixo espacial de seis para 22 horas por dia. Ainda está em fase experimental, mas Michael Steindorfer, do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Austríaca de Ciências, afirma que o método “pode contribuir significativamente para melhorar as previsões orbitais em caso de avisos (de colisão) ou para futuras missões de remoção de detritos espaciais”.

Durante testes com a nova técnica, 40 objetos diferentes foram observados pela primeira vez durante o dia - algo que não teria sido possível antes. De acordo com a Agência Espacial Europeia ESA, uma nova estação de laser ao lado da sua Estação Ótica Terrestre, nas Ilhas Canárias, está aguardando implantação da nova tecnologia, que servirá como um teste mais amplo.

Fonte: ESA

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