NASA registra primeiros "terremotos" em Marte; ouça os áudios

Por Daniele Cavalcante | 01 de Outubro de 2019 às 21h00
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Finalmente, quase um ano após o pouso da sonda InSight em Marte, seus sensores detectaram uma série vibrações causadas por abalos sísmicos no interior do Planeta Vermelho. A NASA já havia capturado pequenos ruídos por lá em abril, mas só agora podemos ouvir sons que, certamente, tratam-se de "martemotos", equivalente aos terremotos do nosso planeta.

Foi para medir esses abalos em Marte que a InSight foi equipada com um "ouvido" muito especial - um sismômetro muito sensível chamado Seismic Experiment for Interior Structure (SEIS), capaz de captar vibrações tão sutis quanto uma brisa. O instrumento foi fornecido pela agência espacial francesa, a Centre National d'Études Spatiales (CNES), e seus parceiros.

Já era sabido que no Planeta Vermelho passa por fenômenos sísmicos algumas vezes por ano, e a NASA estava desde novembro de 2018 no aguardo para registrar o primeiro martemoto propriamente dito. Os cientistas querem estudar como as ondas sísmicas desses eventos se movem pelo interior do planeta, para entender a estrutura marciana em seu interior mais profundo.

Nuvens sobrevoam o sismômetro SEIS, da sonda InSight, em Marte. (Imagem: NASA/JPL-Caltech)
 

Mas quando a sonda pousou por lá, Marte pareceu meio tímido. A NASA conseguiu ouvir vento em dezembro e pequenos ruídos em abril. Mas isso mudou entre maio e julho, quando a InSight conseguiu captar um sinal sísmico surpreendentemente alto em comparação com o que a equipe científica ouviu desde então. Dos mais de 100 eventos detectados até o momento, cerca de 21 já são considerados martemotos. O restante também podem ser abalos semelhantes, mas a equipe científica não descartou outras possíveis causas.

Os dois martemotos que você pode ouvir nos áudios abaixo ocorreram em 22 de maio (o 173º dia marciano, ou Sol, da missão) e 25 de julho (Sol 235). Eles têm originalmente uma frequência muito abaixo do alcance da audição humana, então os áudios capturados pelo SEIS tiveram que ser acelerados e processados para que nós pudéssemos conferi-los — e o ideal é usar um fone de ouvido quando der o "play".

Sol 173, com magnitude de 3,7:

Sol 235, com magnitude de 3,3:

O terremoto marciano Sol 235 torna-se particularmente pesado no final do evento, e ambos sugerem que a crosta de Marte é como uma mistura da crosta terrestre e da Lua. "É muito impressionante ouvir as primeiras vibrações da missão", comemorou Constantinos Charalambous, um dos membros da InSight. "A gente consegue começar a entender o que realmente está acontecendo em Marte".

Embora a InSight tenha capacidade de procurar por sinais de vida no planeta, a NASA já tem programada a missão Mars 2020 para coletar rochas que possam conter evidências de que exista ou já existiu vida em Marte. O robô deve chegar ao Planeta Vermelho em 2021 e vai procurar por bioassinaturas na superfície marciana.

Fonte: NASA, Gizmodo

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