NASA dá apoio para que empresas lancem estações espaciais privadas

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 29 de Março de 2021 às 12h10
Axiom Space

A Estação Espacial Internacional é operada pela parceria de algumas agências espaciais do mundo, entre elas a norte-americana, a NASA — a qual passa a considerar novas estações espaciais comerciais na órbita terrestre baixa (LEO, sigla em inglês). Com a aposentadoria da ISS prevista para algum momento entre 2024 e 2028, provavelmente, a agência receberá propostas para que iniciativas privadas façam parte do chamado Desenvolvimento Comercial LEO, ainda em fase inicial.

Nada dura para sempre e com a ISS não seria diferente. Pensando nisso, a NASA vem tomando algumas medidas para apoiar iniciativas privadas que possam assumir o comando espacial ou que sejam complementares ao trabalho que a estação multinacional vem realizando ao longo dos últimos anos. O diretor de desenvolvimento de voos espaciais comerciais na sede da NASA, Phil McAlister, diz que a ISS é um sistema incrível, mas infelizmente não vai durar para sempre — ela pode sofrer uma anomalia irreparável a qualquer momento, por exemplo.

Independentemente de quem venha administrá-la, qualquer iniciativa espacial leva tempo até que esteja em operação, então projetos que visam participar deste trabalho precisam ser pensados e avaliados desde já. Para McAlister, o momento de começar é agora, "quando a ISS ainda está com boa saúde e fornecendo boa capacidade em todos os setores”. Os primeiros rascunhos do anúncio de propostas devem ser anunciados ainda no mês que vem, abril, com a versão final em maio. O objetivo é que, até o final do ano fiscal de 2025, as propostas comerciais estejam em fase de revisão preliminar — para então avaliar quais são os clientes em potencial para instalação das novas estações.

Representação artística da estação espacial da Axiom Space, prevista para ser lançada em 2024, com finalidades de turismo, pesquisa e desenvolvimento (Imagem: Reprodução/Axiom Space)

Será um processo de transição, explica McAlister, que acrescenta: “teremos um período de sobreposição em que, ao longo de um período, reduziremos as operações da ISS à medida que aumentamos as operações para destinos LEO. Isso nos dá algum tempo". A participação do setor privado “oferece uma flexibilização em caso de incerteza no lado orçamentário da NASA”, segundo Angela Harte, gerente do escritório do programa de desenvolvimento comercial LEO, no Jonhson Space Center, da NASA. Dos U$ 150 milhões solicitados pela agência nos anos fiscais de 2020 e 2021, apenas US $15 milhões e US $15 milhões foram recebidos, respectivamente, para o desenvolvimento do LEO.

No entanto, mesmo após o fim do programa da ISS, a NASA pretende ter pelo menos dois tripulantes na órbita da Terra — responsáveis por realizar, ao menos, 200 pesquisas científicas —, enquanto outros estarão envolvidos nas missões na Lua, como o programa Artemis. Nos últimos anos, a agência espacial já realizou algumas ações de caráter mais comercial, como é o caso da SpaceX lançando duas missões tripuladas com a nave Crew Dragon. No próximo ano, a ISS receberá sua primeira tripulação totalmente privada, organizada pela Axiom Space e também lançada pela Crew Dragon — com motivações de turismo espacial, pesquisa e desenvolvimento.

Fonte: Space.com

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