Movimento de exoplaneta "estranho" pode nos ajudar a encontrar o Planeta Nove

Por Patrícia Gnipper | 16 de Dezembro de 2020 às 15h00
NASA/ESA/Hubble

Estudando o movimento do exoplaneta HD106906 b com o telescópio espacial Hubble, pesquisadores creem terem em mãos dados valiosos que podem nos ajudar a encontrar o ainda hipotético Planeta Nove — aquele que, se existir nos confins do Sistema Solar, pode ser o responsável por "bagunçar" a órbita de pequenos objetos existentes além de Netuno.

O exoplaneta tem 11 vezes a massa de Júpiter e tem uma órbita improvável ao redor de uma dupla de estrelas que fica a 336 anos-luz de nós. Essa é a primeira vez que astrônomos conseguem medir o movimento de um planeta tão massivo a uma distância tão grande de sua estrela-mãe — ele fica a uma distância mais de 730 vezes maior do que a distância entre a Terra e o Sol, com período orbital de 15 mil anos. Por isso, é possível que o estudo forneça meios para que detectemos o Planeta Nove, pois, se ele existir, estima-se que seja um objeto de grandes proporções, e também muito distante de sua estrela (o Sol).

(Imagem: Reprodução/NASA, ESA, M. Nguyen, R. De Rosa, P. Kalas)

A primeira vez em que o HD106906 b foi detectado aconteceu em 2013, por meio dos Telescópios Magalhães, que ficam no Observatório Las Campanas, no deserto do Atacama (Chile). Mas, até hoje, não se sabia muito sobre ele, muito menos as características de sua órbita. Por isso, o Hubble entrou na jogada, uma vez que ele tem capacidades suficientes para realizar medições precisas de objetos distantes, o que foi feito ao longo dos últimos 14 anos, resultando no estudo publicado no The Astronomycal Journal.

Por enquanto, para explicar como este exoplaneta chegou a uma órbita tão distante, a hipótese que mais agrada à comunidade científica é a de que o HD106906 b se formou muito mais próximo de sua dupla de estrelas (cerca de três vezes a distância entre a Terra e o Sol), mas o disco de gás e poeira existente naquele sistema teria arrastado o exoplaneta cada vez mais para perto das estrelas. Então, a ação das forças gravitacionais dos astros acabou empurrando o HD106906 b cada vez mais para longe, colocando-o quase "do lado de fora" do sistema. Aí a ação gravitacional de estrelas nos arredores, que já foram identificadas pela missão europeia Gaia, teria finalizado o trabalho de posicionar o HD106906 b nos confins de seu sistema.

E talvez essa seja uma explicação equivalente para justificar por que existiria um planeta tão grande, porém tão longe do Sol — o Planeta Nove. Ele poderia ter se formado no interior do Sistema Solar e então sido expulso por interações gravitacionais com Júpiter, que o teria lançado para muito além de Plutão. Então, estrelas nos nossos arredores podem ter estabilizado a órbita do Planeta Nove numa posição que ainda não conhecemos, já que sequer confirmamos que tal planeta existe, de fato — ainda que as evidências de sua existência sejam grandes demais para serem ignoradas, como a própria NASA já chegou a concluir.

Os próximos passos nos estudos do Planeta Nove envolvem o uso do telescópio espacial James Webb, que será capaz de estudar o HD106906 b com ainda mais precisão. Conhecendo melhor as características e desvendando a história deste exoplaneta, pode ser que o mistério sobre o Planeta Nove fique cada vez mais próximo de ser solucionado.

Fonte: Hubble (1) e (2) , NASA

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