Nova análise reforça a existência do Planeta Nove nos confins do Sistema Solar

Por Patrícia Gnipper | 28 de Fevereiro de 2019 às 14h55

Investigando ainda mais a fundo as evidências de que o Planeta Nove existe na região do Cinturão de Kuiper, Mike Brown e Konstantin Batygin, pesquisadores da Caltech, estão publicando nesta semana dois artigos em que analisam com mais detalhes todos os dados que indicam que, nos confins do Sistema Solar, existe um planeta ainda desconhecido por nós, interferindo na órbita de pequenos objetos que ali se encontram.

A dupla de cientistas foi quem anunciou as primeiras evidências incontestáveis da existência do Planeta Nove (ou algum objeto tão massivo quanto um planeta) há três anos. E um dos novos artigos, publicado no The Astronomical Journal, analisa o agrupamento orbital de objetos do Cinturão de Kuiper, que fica além de Netuno, com esses pequenos mundos sofrendo puxões gravitacionais de um objeto muito maior e massivo.

Ainda há muita discussão no meio quanto à análise correta desse agrupamento, e para avaliar se temos essa impressão apenas por conta do viés de observação daqui da Terra, a dupla desenvolveu um método para calcular a probabilidade de que o agrupamento seja ilegítimo. Os resultados indicam que essa probabilidade é de apenas 1 em 500. "Embora essa análise não diga nada diretamente sobre se o Planeta Nove está mesmo lá, isso indica que sua hipótese se baseia em uma base sólida", explica Brown.

(Imagem: James Tuttle Keane/Caltech)

Já o segundo artigo, que será publicado na próxima edição do Physics Reports, fornece diversos novos modelos computacionais da evolução dinâmica do Sistema Solar distante, oferecendo uma visão ainda mais atualizada e palpável da natureza do suposto planeta. Ali, os pesquisadores estimam que o Planeta Nove pode ser menor e mais próximo do Sol do que o previsto até então, concluindo que ele tem massa de cerca de cinco vezes a massa da Terra, orbitando o Sol a 400 unidades astronômicas (AU) — 1 AU é aproximadamente igual à distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km.

Na visão de Konstantin Batygin, pesquisador associado aos estudos, "o Planeta Nove é provavelmente remanescente de uma super-Terra extrassolar". Super-Terras são planetas cuja massa é maior do que a da Terra, mas muito menor do que a de um gigante gasoso. O pesquisador entende que tal planeta pode ser "o elo perdido do Sistema Solar na formação de planetas pois, na última década, levantamentos de planetas extrassolares revelaram que planetas de tamanho similar são muito comuns em torno de outras estrelas parecidas com o Sol".

E, ainda que Brown e Batygin nunca tenham descartado a possibilidade de tal planeta não existir de verdade, com as órbitas "estranhas" de objetos do Cinturão de Kuiper podendo ser explicadas de uma outra maneira, eles dizem que quanto mais examinam a dinâmica orbital da região, mais forte parece ser a evidência de que o Planeta Nove realmente existe. "A perspectiva de um dia ver imagens reais do Planeta Nove é absolutamente eletrizante. Embora encontrá-lo de maneira astronômica seja um grande desafio, estou muito otimista de que isso acontecerá na próxima década", declara Batygin.

Fonte: Phys.org

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