Os 5 melhores lugares do mundo onde se observar as estrelas

Por Liliane Reis | 11 de Agosto de 2020 às 17h15
Yevhen Samuchenko

O fascínio que os céus exercem sobre a humanidade é inegável, especialmente quando a noite nos aproxima da imensidão do universo. Observar estrelas já é algo intrínseco à nossa vivência, seja pelo aspecto romântico, por orientação ou pela ciência. Afinal, se a nossa natureza nos impele a irmos cada vez mais longe, é difícil não sonhar com a promessa de um firmamento estrelado.

Hoje, com a poluição luminosa que domina grandes centros urbanos e mesmo cidades periféricas, torna-se cada vez mais difícil apreciar a beleza do céu noturno por si só. Só nos Estados Unidos, estima-se que 80% da população vive em áreas onde é impossível visualizar a Via Láctea. No Brasil, a situação não é muito melhor: mesmo observatórios, como o de Itajubá, em Minas Gerais, enfrentam dificuldades devido à forma como a iluminação das cidades é projetada.

A boa notícia é que ainda existem locais incríveis mundo afora para se observar as estrelas. Então, listamos aqui cinco lugares ideais para quem quer se sentir um pouco mais próximo do cosmos!

“Calmaria da Eternidade”, foto premiada mostrando a Via Láctea refletida pelo lago Gosaikunda, Nepal (Foto: Yevhen Samuchenko)

Cúpula Argus, Antártida: beleza em meio ao gelo

Se a poluição luminosa é nosso maior inimigo na busca pelas estrelas, não é surpresa que regiões remotas ofereçam a melhor visão. Mas, infelizmente, nem todo mundo estaria disposto a enfrentar o frio polar nessa missão.

A Cúpula Argus, também conhecida como Dome A, é um dos pontos mais gelados da Terra. Bem na região mais central da Antártida, essa cúpula se ergue em um planalto, estando a cerca de 4 quilômetros acima do nível do mar. Segundo pesquisadores da revista Nature, o ponto é perfeito para se observar o cosmo com um mínimo de interferência da atmosfera terrestre.

Vale dizer que o clima antártico não é de todo ruim. Os ventos que sopram na região são responsáveis por um fenômeno chamado turbulência atmosférica que, por sua vez, faz com que o brilho das estrelas oscile menos. E, claro, é preciso considerar as longas noites do inverno, que se estendem por 24 horas, permitindo uma janela de observação incomparável.

Observatório IceCube na Antártida (Foto: IceCube)

Deserto do Atacama, Chile: espelhos do universo

O clima noturno pode até ser frio, mas é muito mais acessível para mochileiros e viajantes com um pouco de disposição: o deserto do Atacama, no Chile, abriga diversos observatórios e ainda recebe muitos turistas interessados em conhecer as belezas de um dos pontos mais secos do planeta.

Se o deserto rochoso e vermelho pode remeter a uma caminhada em Marte durante o dia, quando a noite cai, tem-se um dos céus mais límpidos do planeta, dificilmente maculado por nuvens. Em alguns pontos, os espelhos d’água espalhados pelo deserto ainda oferecem um reflexo belíssimo das estrelas.

Por isso, não é surpresa que o Atacama seja um dos destinos preferidos de brasileiros que desejam viver a experiência de apreciar toda a magnanimidade do céu noturno.

Árvore sob a luz da Lua e da Via Láctea no Atacama (Foto: Nicholas Buer/Corbis)

Mauna Kea, Havaí: visões de um vulcão extinto

Ponto mais alto do Havaí, o Mauna Kea é o melhor dos muitos pontos incríveis para se observar estrelas no arquipélago, que também abriga diversos observatórios de ponta. Dividida entre as tradições da cultura nativa e a tecnologia dos observatórios, a região ainda é tema de controvérsia, mas um fator é inquestionável: a vista magnífica que ela oferece.

O cume do Mauna Kea fica aproximadamente 4 quilômetros acima do nível do mar e a visita a essa área não é permitida após o pôr do sol. Uma boa notícia, porém: devido ao nível de oxigênio no ar, o céu parece mais estrelado quando observado de altitudes inferiores. Os passeios guiados ao Mauna Kea levam turistas a observar estrelas a pouco menos de 3 quilômetros de altitude, ponto ideal.

O céu noturno observado no arquipélago havaiano (Foto: Hawaii Life)

Sagarmatha, Nepal: onde terra e céu se encontram

Em nepalês, “sargamatha” efetivamente significa “testa no céu”. A região, que se estende aos pés do monte Everest, é remota o bastante para oferecer condições ideais para se observar as estrelas, protegida da luminosidade excessiva de grandes centros e da poluição visual causada por nuvens e mesmo poeira.

O Parque Nacional de Sagarmatha atrai turistas também por ser um pacote completo: de dia, é possível apreciar trilhas e mergulhar na cultura e natureza locais. Durante a noite, o espetáculo oferecido pela escuridão do território do Nepal se revela. E o país já está atento aos riscos oferecidos pela poluição luminosa.

“O fato de estarmos em uma região remota é uma vantagem que podemos aproveitar”, diz Gyan Nyaupane, especialista em turismo nepalês que é professor na Universidade Estadual do Arizona. “Ao invés de tentar imitar o Oeste, devemos preservar o que temos, incluindo a escuridão do nosso céu noturno.”

As estrelas sobre o vilarejo de Gorkyo, no Nepal (Foto: Jeff Dai, Stocktrek Images, Inc./Alamy)

Alqueva, Portugal: brilho das estrelas sob proteção

Para quem prefere um destino de língua portuguesa, uma boa surpresa: Portugal abriga a primeira reserva destinada a preservar a visão do céu noturno: a Dark Sky, junto ao lago Alqueva.

A reserva estimula o astroturismo, ao mesmo tempo que busca manter as condições ideais de visibilidade da região. Além de visitas, a equipe responsável promove eventos como festas, e o projeto chegou a conquistar prêmio de Turismo Responsável na Europa na edição 2019 do World Travel Awards.

Via Láctea e estrelas brilham sobre a região de Alqueva, Portugal (Foto: Miguel Claro)

Bônus: Itajubá, Minas Gerais

Mesmo enfrentando dificuldades devido à luminosidade da região, o município de Itajubá ainda é um destino repleto de belezas naturais comuns ao interior de Minas, como cachoeiras e a Serra dos Toledos e, de quebra, continua oferecendo uma vista belíssima do céu noturno.

Para quem está disposto a caçar estrelas no céu noturno, mas ainda prefere se manter em território nacional, Itajubá se mantém como uma ótima opção.

A Via Láctea e o observatório de Itajubá (Foto: Cleber Gonçalves/BBC)

Fonte: Nature, Live Science, National Geographic, Nepal Times, Dark Sky Alqueva

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