Estrela mais brilhante da galáxia será visível da Terra em pouco mais de 10 anos

Estrela mais brilhante da galáxia será visível da Terra em pouco mais de 10 anos

Por Patrícia Gnipper | 11 de Janeiro de 2019 às 11h25
J. Hester/Arizona state University, NASA/ESA

Você provavelmente já ouviu falar da estrela Eta Carinae, que é a mais luminosa da Via Láctea (entre as estrelas conhecidas, claro). Ela brilha com intensidade de cinco milhões de sóis, e vem sendo muito observada por astrônomos em todo o mundo. Contudo, não se pode vê-la a olho nu no céu noturno — mas isso vai mudar em pouco mais de uma década.

Ao menos é o que conclui o astrônomo brasileiro Augusto Damineli, da Universidade de São Paulo, graças a vários anos estudando o astro em questão. Em seu estudo, ele indica que serão necessários pouco mais de dez anos para que a nuvem de poeira e gás que recobre Eta Carinae (que impede sua visualização daqui da Terra) se dissipe o suficiente para que seu brilho seja revelado em nosso céu. Quando isso acontecer, a luz da estrela se tornará 2,5 vezes maior do que a atual.

A estrela Eta Carinae que, na verdade, é um sistema duplo, registrada pelo Hubble (Foto: J. Hester/Arizona state University, NASA/ESA)  

A estrela é bastante jovem do ponto de vista astronômico, tendo apenas 2,5 milhões de anos de idade, e é uma supergigante da rara classe das luminosas azuis (com temperaturas mais quentes). Temos conhecimento de apenas algumas dezenas de estrelas desta classe e, por isso, Eta Carinae é tão estudada.

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Ela fica na constelação de Carina e foi catalogada em 1677 por Edmond Halley (sim, o astrônomo que desvendou a órbita do cometa Halley), mas somente em 1843 uma grande erupção lançou ao espaço matéria suficiente para que seu brilho aumentasse a ponto de Eta Carinae ser visível durante meses daqui da Terra. Depois, uma nebulosa foi formada ao redor da estrela, com essa nebulosa tendo 3 trilhões de quilômetros (4 meses-luz) de extensão. A nebulosa, repleta de poeira e gases, ofusca o brilho da estrela e por isso não podemos mais vê-la no céu noturno.

A nebulosa de Carina, que esconde Eta Carinae com suas nuvens de gás e poeira (Foto: Lóránd Fényes)

Eta Carinae é um sistema duplo, na verdade, composto por dois objetos. Damineli descobriu que a cada 5,5 anos a estrela sofre um pequeno "apagão" quando uma das estrelas, a menorzinha, passa em frente à "irmã" do ponto de vista daqui da Terra, por meio de telescópios. A estrela menor tem 30 vezes a massa do Sol, com a maior tendo 90 vezes a massa da estrela do Sistema Solar.

Damineli conta que "nos últimos 20 anos, astrônomos detectaram um aumento no brilho da Eta Carinae; com isso, surgiu a hipótese de que ela explodiria dentro de algumas décadas". Mas em seu trabalho, o astrônomo conclui, na verdade, que não é bem isso o que estava acontecendo por lá: analisando dados de observatórios diversos e contando com uma equipe de 17 pesquisadores, ele descobriu, portanto, que o aumento de brilho visível da estrela é resultado da dissipação de partes de sua nebulosa.

Ele conta que há, ao redor da estrela, quatro nuvens espessas de gás, com esta quarta recentemente descoberta sendo a grande responsável por cobrir a estrela do nosso ponto de vista, apagando a maior parte de sua luz. Mas "uma das outras se desfez recentemente, um indício de que o mesmo deverá acontecer com esta que tapa nossa visão", explica.

"Em 2032, ou quatro anos a mais ou a menos, a poeira terá desaparecido e o brilho aparente da estrela não aumentará mais, mas sim ofuscará a nebulosa. Ou seja: em poucos anos, perderemos a oportunidade de tirar belas fotos da nebulosa de Carina, mas veremos mais claramente o par de estrelas gêmeas", de acordo com o astrônomo.

Fonte: Inovação Tecnológica

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