Lançamentos de foguetes podem causar menos danos à atmosfera com biocombustíveis

Lançamentos de foguetes podem causar menos danos à atmosfera com biocombustíveis

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 25 de Outubro de 2021 às 17h50
Pixabay/Domínio Público

Diante das mudanças climáticas, o mundo deve se comprometer em tornar o futuro mais sustentável — e o setor espacial não pode ficar de fora. Pensando nisso, as empresas britânicas Orbex e Skyrora estão trabalhando em tecnologias de foguete que poluam menos o meio ambiente, incluindo biocombustíveis capazes de reduzir em até 86% as emissões de poluentes em comparação aos sistemas que consomem combustível fóssil.

Recentemente, a Orbex divulgou uma pesquisa, conduzida pela Universidade de Exeter, indicando que o foguete da empresa, chamado Prime e que é movido a biopropano, produz até 86% menos emissões se comparado aos combustíveis fósseis em foguetes de tamanho similar. O Rocket Propelant 1 (RP-1), um tipo de querosene refinado, é amplamente usado — por exemplo, o Falcon 9, da SpaceX, utiliza o RP-1 em dois de seus estágios, sendo o mesmo combustível que alimenta o sistema russo Soyuz e o primeiro estágio da foguete Atlas V.

Lançador Prime da Orbex (Imagem: Reprodução/Orbex)

Segundo a Orbex, a maior parte da redução se deve aos biocombustíveis, e não ao sistema de lançamento em si. A Calor, empresa fornecedora do biopropano, informou que o combustível é produzido a partir de uma mistura de resíduos orgânicos e de “origem sustentável”.  O estudo revelou que o Prime, com 19 metros de altura e capacidade de carregar até 150 kg de carga útil, em um único lançamento emitirá 13,8 toneladas de gases de efeito estufa, o equivalente ao que um cidadão britânico médio emite ao ano.

A outra empresa, a Skyrora, embora não tenha lançado seu foguete de três estágios Skyrora XL, já realizou uma série de testes com seu míssil suborbital Skylark Micro, que atingiu os 27 km de altitude. Em 2020, a empresa realizou um teste com seu pequeno motor de impressão 3D movido a um combustível feito de plástico não reutilizável, chamado Ecosene. A empresa responsável disse haver 45% menos emissão de gases de efeito estufa com o Ecosene, com o propelente apresentando desempenho energético de 1% a 3% superior ao combustível fóssil, além de ser bem mais barato.

Teste do míssil Skylark Micro, da Skyrora, no ano passado (Imagem: Reprodução/Skyrora)

Derek Harris, CEO do setor Ecosene da Skyrora, explicou que os plásticos utilizados na fabricação do combustível vêm da eliminação de resíduos, então a empresa tema a matéria prima de graça. Segundo Harris, a empresa planeja lançar seu foguete no final de 2022 a partir da Escócia.

Vale destacar que a Orbex e Skyrora não são as únicas empresas comprometidas com o uso de biocombustíveis. No início deste ano, a startup norte-americana bluShift Aerospace realizou seu primeiro teste com o protótipo do foguete Stardust 1.0. O sistema, alimentado por biocombustível sólido produzido a partir de resíduos agrícolas, atingiu pouco mais de 1 km de altitude.

Fonte: Space.com

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