Japão avança na missão de pousar uma sonda em Fobos, lua de Marte

Por Daniele Cavalcante | 22 de Fevereiro de 2020 às 16h30

A agência espacial japonesa JAXA avançou em seus planos de enviar uma missão para investigar as luas marcianas Fobos e Deimos, incluindo uma sonda que vai coletar amostras para trazer à Terra. O plano detalhado foi enviado ministério da ciência do Japão na quarta-feira (19).

Em sua conta oficial no Twitter, a missão Martian Moons Exploration (MMX) anunciou que havia avançado para a fase de "desenvolvimento" das operações. A agência espacial estimou que o custo total da missão seria de US$ 417 milhões. O lançamento deve acontecer em 2024 em um novo foguete construído pela Mitsubishi Heavy Industries, chamado H-3.

Se os prazos atuais forem cumpridos, a sonda MMX entrará na órbita marciana em 2025 e retornará à Terra em 2029. A lua escolhida para receber a sonda é Fobos, a maior e com atração gravitacional mais intensa. Ainda assim, é um pequeno pedaço de rocha com apenas 23 km de diâmetro, o que exigirá muito da experiência dos japoneses para operar a sonda por lá.

Phobos, uma das luas que receberá a missão Martian Moons Exploration (Imagem: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona)

O sucesso da missão Hayabusa-2, no entanto, mostra que a JAXA está preparada para uma nova missão desse tipo - a Hayabusa-2 conseguiu coletar material da superfície do asteroide Ryugu e deve voltar à Terra com as amostras no final deste ano. Agora, o Japão será o primeiro país a enviar uma missão especificamente para investigar as duas luas de Marte, o que ajudará os cientistas a entender melhor a formação de planetas rochosos.

Também será uma missão importante para entender se Fobos e Deimos são asteroides capturados pela gravidade do Planeta Vermelho, ou fragmentos de Marte ejetados durante algum impacto antigo - como é o caso da formação da nossa Lua, por exemplo.

Além disso, conhecer detalhes da superfície de Fobos pode ser fundamental. É que as missões humanas em Marte podem ter seus primeiros pousos lá, e não na superfície marciana propriamente dita. Isso porque a Fobos tem uma gravidade muito menor, então será mais fácil para os astronautas saírem de Fobos para voltar à Terra do que se estiverem na superfície de Marte. Só depois de retornarem com sucesso dessas primeiras missões os astronautas estariam prontos para pousar em Marte.

Fonte: Ars Technica

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