Estudo indica que a formação da Lua foi bem diferente de como pensamos

Por Patrícia Gnipper | 28 de Fevereiro de 2018 às 17h38

Até então, é aceita a teoria de que o satélite natural da Terra se formou após uma colisão extremamente violenta durante a formação do Sistema Solar. O acúmulo de resíduos de rochas, após o choque, teria, lentamente, sido reunido em um único corpo, resultando na Lua, que orbita o nosso planeta. Mas talvez a coisa não tenha acontecido bem assim.

Ao menos é o que indica um estudo publicado por Simon Lock, do Department of Earth and Planetary Sciences da Universidade de Harvard. Ele sugere que a Lua surgiu a partir de uma nuvem massiva, no formato de uma rosquinha, resultante de uma rocha vaporizada – o que é chamado de "synestia". Falar em rosquinhas pode parecer uma furada, assim, à primeira vista, mas a existência das synestias exatamente nesse formato é algo aceito no meio.

A imagem mostra a aparência de uma synestia, comparada com um planeta rochoso e um planeta envolvido por um disco (Imagem: Simon Lock/Harvard)

O estudo foi documentado no Journal of Geophysical Research: Planets, e tem como co-autores nomes de peso de instituições como UC Davis, Bristol e SETI, além da própria Harvard. Conforme explica Lock, "a teoria comumente aceita quanto à formação da Lua é que um corpo de tamanho de Marte colidiu com a proto-Terra, e criou material em órbita". Essa massa teria se "instalado em um disco e, depois, se acumulado para formar a Lua, e o corpo que restou após o impacto foi a Terra". Esse modelo vem sendo aceito há cerca de vinte anos.

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Ilustração do suposto impacto sofrido pela Terra, permitindo a formação da Lua (Imagem: Michael Elser/University of Zurich)

Contudo, o especialista afirma que "obter massa suficiente em órbita no cenário canônico é realmente muito difícil, e há uma gama muito estreita de colisões que podem ser capazes de fazê-lo". Ele afirma que "há apenas uma janela possível de vários graus de ângulos de impacto, e uma gama muito estreita de tamanhos, e, mesmo assim, alguns modelos de impactos ainda não funcionam".

Além disso, os testes dos especialistas mostraram que a "impressão digital" isotópica para a Terra e a Lua são praticamente idênticas, indicando que os dois objetos têm a mesma origem, de fato. Mas, na história que é aceita há décadas, o satélite teria se formado principalmente a partir dos restos do outro corpo, que colidiu com a proto-Terra durante a formação do nosso planeta.

Explicando a teoria da nuvem em formato de rosquinha: tudo começa com uma "semente" (uma pequena quantidade de rocha líquida que existe fora do centro da tal rosquinha) e, à medida em que a estrutura vai esfriando, a rocha vaporizada se condensa, movendo-se em direção ao centro da synestia. Então, esse corpo vai crescendo, tendo, teoricamente, formado a Lua. "Ao longo do tempo, a estrutura se encolhe e a Lua emerge do vapor. Eventualmente, toda a synestia se condensa, e o que resta é uma bola de rocha líquida giratória, que, eventualmente, forma o objeto sólido". 

Concepção artística de uma synestia (Imagem: Mike Zeng/Quanta Magazine)

Lock acredita que sua teoria aborde todas as problemáticas do modelo canônico quanto à criação da Lua, uma vez que, segundo seu estudo, tanto a Terra quanto a Lua teriam sido criados a partir da mesma nuvem de rocha vaporizada, compartilhando naturalmente suas "impressões digitais" de isótopos semelhantes. Contudo, o trabalho ainda está em estágios preliminares, sendo necessário que a equipe aperfeiçoe ainda mais o modelo sugerido, antes que ele seja aceito pela comunidade científica.

Outras teorias

Enquanto a comunidade científica não bate o martelo em um modelo único que explique a formação do nosso satélite natural, existem outras teorias por aí. Além do modelo tradicional – que entende a Lua como resultado da união de detritos após o choque de um outro corpo com a Terra em formação –, e da teoria da synestia explicada por Lock, há ainda quem sugira modelos paralelos, como você pode conferir na imagem a seguir (em inglês): 

(Imagem: Lucy Reading-Ikkanda/Quanta Magazine)

Fonte: Phys.org, Quanta Magazine

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