ISS receberá novos experimentos científicos nesta terça (10); veja quais são

ISS receberá novos experimentos científicos nesta terça (10); veja quais são

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Agosto de 2021 às 08h29
Terry Zaperach/NASA

Nesta terça-feira (10), uma nova nave Cygnus, da Northrop Grumman, será lançada com destino à Estação Espacial Internacional (ISS), levando experimentos científicos e suprimentos para os astronautas que estão a bordo do laboratório orbital durante a Expedição 65. O lançamento será realizado no centro de lançamentos de Mid-Atlantic Regional Spaceport (MARS), em Virgínia, e está programado para às 18h56, no horário de Brasília.

Após o lançamento, a nave deverá levar dois dias para chegar à estação. Depois, Megan McArthur, astronauta da NASA, usará o braço robótico do laboratório orbital para capturá-la, e irá acoplar a nave junto de Thomas Pesquet, astronauta da Agência Espacial Europeia. No interior da cápsula, haverá suprimentos para a tripulação, itens que serão necessários para investigações científicas e um novo sistema de remoção de dióxido de carbono. A expectativa é que a Cygnus fique na ISS até outubro.

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Ao fim da estadia, a nave irá completar sua missão secundária, chamada de Kentucky Re-Entry Probe Experiment (KREPE), para testar novos sistemas de proteção térmica, componentes essenciais para proteger o veículo durante a viagem pela atmosfera terrestre. Para isso, a Cygnus leva três cápsulas que contêm sensores, instalados para testar como diferentes materiais lidam com o calor da reentrada na atmosfera.

Como a Cygnus foi projetada para queimar durante a reentrada, os pesquisadores decidiram projetar o experimento para testar novos materiais de proteção térmica enquanto a nave é envolvida pelas chamas. Assim, as cápsulas foram desenvolvidas para resistirem à espaçonave se rompendo e, mesmo que eventuais detritos caiam no oceano, elas não serão recuperadas porque os dados serão registrados previamente. Os resultados obtidos deverão ajudar a tornar as naves mais seguras e aprimorar sistemas de segurança contra incêndio na Terra.

Como de costume, a empresa manteve a tradição de dar apelidos às naves Cygnus, inspirados em pioneiros dos voos espaciais tripulados. Assim, a nave se chamará S. S. Ellison Onizuka, como uma homenagem ao primeiro astronauta asiático-americano a alcançar o espaço. Onizuka foi um dos tripulantes do ônibus espacial Challenger, lançado em 1986 e explodiu alguns minutos depois do lançamento. Não houve sobreviventes.

Quais experimentos científicos estão a caminho da ISS

Em meio aos experimentos que a Cygnus levará à ISS, há várias investigações voltadas para os pesquisadores entenderem melhor os efeitos dos voos espaciais no corpo humano. Um deles, chamado “Cardinal Muscle”, irá examinar como tecidos musculares modificados se formam no espaço para verificar se a microgravidade é uma boa ferramenta para estudar e até evitar um tipo de perda muscular relacionada ao envelhecimento e sedentarismo. Assim, a ideia do estudo é determinar se "tubos" musculares característicos do tecido são formados formam mesmo na microgravidade, o que pode permitir a produção rápida de medicamentos para testes clínicos.

Tecido muscular produzido para o experimento (Imagem: Reprodução/Stanford University)

Já a empresa Redwire está enviando uma demonstração de tecnologia, que irá usar simulador de regolito lunar como matéria-prima para a impressora 3D já instalada na ISS. Segundo Michael Snyder, diretor de tecnologia da empresa, serão feitas três diferentes impressões no espaço, que vão retornar para a Terra para passar por análises. Impressões 3D com regolito já foram feitas antes, mas a grande questão agora é descobrir como as amostras produzidas no espaço se comportam em terra firme.

Por fim, a Agência Espacial Europeia (ESA) também está enviando um experimento. Realizado em parceria com a NASA, está o experimento “Blob”, voltado para analisar como o organismo unicelular Physarum polycephalum — também conhecido como “bolor limoso” — se move, alimenta e até se comunicar com outros. Os pesquisadores do French National Center for Space Studies (CNES) decidiram enviar quatro fungos viscosos, que vão viajar dormentes e ficarão ativos por alguns dias.

Para o estudo Blob, os alunos vão monitorar culturas do fundo em solo e comparar o crescimento e comportamento com as amostras na estação (Imagem: Reprodução/Audrey Dussutour - French National Centre for Scientific Research (CNRS)

A investigação do bolor ficará por conta de Pesquet, que irá “despertar” os fungos e usar as atividades do microrganismo para envolver crianças em idade escolar em toda a Europa. O experimento deverá durar sete dias, e ele irá observar como o bolor se comporta na microgravidade, fazendo fotos e vídeos dos “blobs” em ação. Depois, os resultados serão comparados a uma contraparte na Terra.

Fonte: Space.com, NASA

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