Hibernação de astronautas pode ser necessário em longas viagens espaciais

Hibernação de astronautas pode ser necessário em longas viagens espaciais

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Fevereiro de 2022 às 18h40
SpaceWorks Enterprises

A Agência Espacial Europeia (ESA) tem investigado tecnologias para a hibernação de astronautas em futuras viagens espaciais de longa duração. O objetivo é reduzir, além do estresse físico e mental, os efeitos nocivos da radiação cósmica nos tripulantes, bem como a quantidade de suprimentos a bordo da nave.

Astronautas dormindo na Estação Espacial Internacional (Imagem: Reprodução/NASA)

Entre todos os desafios tecnológicos para longas viagens tripuladas a Marte, estão também os efeitos nocivos do espaço ao corpo humano, como longos períodos em microgravidade e de exposição à radiação cósmica.

Por isso, a ESA tem estudado uma maneira de contornar, ou ao menos reduzir, esse problema: colocando a tripulação num estado de hibernação. Isso permitiria que eles chegassem ao destino já prontos para a exploração, sem precisar de um período mais longo de recuperação da viagem espacial.

A proposta foi apresentada em um recente estudo conduzido por Alexander Choukér, professor de medicina no Ludwig-Maximilians-University (LMU); e Thu Jennifer Ngo-Anh, coordenadora de carga útil da ESA.

Por que hibernar em longas viagens espaciais?

As futuras viagens tripuladas precisarão otimizar a massa geral da espaçonave. Ao mesmo tempo, deverão garantir a saúde física e mental dos tripulantes. Isso significa transportar quantidades suficientes de água, comida, remédios e mais, para pelo menos dois anos.

Conforme explicou Ngo-Anh, cada tripulante necessitará de 30 kg de suprimentos por dia. “Além disso, precisamos considerar a radiação, bem como os desafios mentais e fisiológicos. Onde há vida, há estresse”, acrescentou a coordenadora.

O infográfico resume a abordagem da hibernação investigada pela ESA (Imagem: Reprodução/ESA)

A estratégia de hibernação, portanto, reduziria também os níveis de tédio, solidão e agressividade associados a longos períodos de confinamento. Reduzindo a taxa metabólica dos astronautas em 25%, a quantidade de suprimentos a bordo diminuiria consideravelmente.

A abordagem induziria os tripulantes a um estado de torpor, semelhante ao que os ursos experimentam durante sua hibernação natural. Durante a hibernação de um urso, sua frequência cardíaca, sua respiração e outras funções vitais são reduzidas a uma fração da atividade normal, enquanto a temperatura corporal fica quase a mesma do ambiente. Os ursos podem ser um bom modelo para o estudo devido à massa corporal parecida com a de humanos.

Principais desafios da hibernação espacial

No entanto, como explicou o professor Choukér, os ursos saem saudáveis de suas tocas na primavera, perdendo apenas pouca massa muscular durante o período de hibernação — massa essa que eles recuperam em 20 dias. Já os humanos perdem mais massa óssea e muscular e estão mais vulneráveis à insuficiência cardíaca.

A tendência é que as futuras viagens espaciais se pareçam cada vez mais com os filmes de ficção científica (Imagem: Reprodução/SpaceWorks)

O professor também ressaltou que baixos níveis de testosterona no corpo humano poderiam regular o metabolismo energético. Ele sugeriu que, por isso, as mulheres podem ser as melhores candidatas para a abordagem de hibernação em cápsulas.

Os tripulantes seriam colocados para “dormir” em uma concha macia com luz e umidade reguladas, além de uma temperatura média de 10 °C. Os tripulantes também usariam roupas inteligentes para medir temperatura corporal e frequência cardíaca.

Para protegê-los da radiação, a concha macia seria inserida num recipiente de água, enquanto a inteligência artificial da nave conduz toda a viagem até o destino. A NASA já conduziu estudos semelhantes em parceria com a SpaceWorks, por sinal.

O estudo foi apresentado na revista Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

Fonte: Neuroscience & Biobehavioral ReviewsESA, Via Universe Today

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