Astronautas em Marte podem se tornar rebeldes e menos sociais, diz estudo

Astronautas em Marte podem se tornar rebeldes e menos sociais, diz estudo

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Novembro de 2021 às 20h40
NASA/Pat Rawlings, SAIC

Entre os desafios que aguardam os astronautas que um dia vão colonizar Marte, estão coisas como a capacidade de cultivar alimentos e de gerar energia longe da Terra. Também faz parte dessa lista a socialização e a saúde mental dos tripulantes, que viverão confinados, porém juntos, por bastante tempo. E um estudo que vem do projeto SIRIUS acaba de observar que o isolamento a longo prazo afeta o psicológico humano de maneira negativa — os envolvidos constataram que os astronautas se tornarão menos comunicativos e mais rebeldes, o que pode comprometer toda uma missão.

Quando se fala em viagens espaciais tripuladas, pouco se pensa no confinamento em poucos metros quadrados por longos períodos. Por isso, aqui na Terra, uma série de experimentos que simulam as condições de Marte buscam entender os efeitos do distanciamento social em missões de colonização.

Os astronautas dependem de uma boa comunicação entre si para garantir o sucesso da missão (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

O Projeto SIRIUS, baseado na Rússia, conduziu 17 experimentos de isolamento ao longo de 120 dias, entre 2017 e 2019. Os pesquisadores envolvidos perceberam que seus participantes se tornaram mais autônomos com o passar do tempo, implicando em uma comunicação reduzida com o controle da missão com o passar do tempo.

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O pesquisador sênior da Academia de Ciências da Rússia, Dmitry Shved, disse que as tripulações vivendo no ambiente análogo a Marte tendiam a compartilhar suas necessidade e problemas cada vez menos. “Com raras exceções, como eventos de missão importantes, como simulação de pouso”, acrescentou Shved.

Prós e contras do isolamento de astronautas

Parte do sucesso de qualquer missão espacial depende da comunicação da tripulação com os operados baseados na Terra. Mas se os tripulantes se comunicam cada vez com menos frequência, explicou Shved, isto pode prejudicar a capacidade de os controladores da missão em oferecer suporte.

O isolamento em Marte não seria nada comparado ao que vivemos na Terra, afinal lá o Planeta Vermelho é hostil à vida como a conhecemos (Imagem: Reprodução/Nicolas Lobos / Unsplash)

Shved também acrescentou outra possibilidade: uma vez que os astronautas se tornam cada vez mais independentes, eles eventualmente podem se desvincilhar de seus controladores na Terra, o que poderia ser interpretado como uma “revolução dos astronautas”, disse Dmitry.

Por outro lado, uma tripulação autônoma poderia significar que ela alcançou a capacidade de lidar de maneira mais independente com os muitos desafios envolvidos na missão. Shved explicou que, assim como em qualquer trabalho, ao longo do tempo um funcionário adquirirá experiência e precisará cada vez menos da orientação de seus superiores.

De todo modo, nenhum humano jamais esteve em Marte e, por mais que os desafios técnicos sejam superados, o Planeta Vermelho ainda será hostil à vida. Então, o melhor é combinar a autonomia dos tripulantes com o apoio dos cientistas e engenheiros baseados na Terra. Mas ainda falta tempo para isso acontecer, já que as viagens tripuladas para o planeta vizinho não devem acontecer antes da década de 2030. Ou seja: a ciência ainda tem "chão" para contornar possíveis problemas psicológicos e comportamentais que sejam resultado do confinamento de astronautas "presos" em outro mundo.

Fonte: Futurism

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