Funcionários acusam Blue Origin de má conduta e negligência; entenda

Funcionários acusam Blue Origin de má conduta e negligência; entenda

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 01 de Outubro de 2021 às 11h30
The Verge

Nesta quinta-feira (30), veio a público uma carta assinada por uma ex-executiva de comunicação com mais 20 funcionários e ex-funcionários da Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos. Na carta, eles afirmam que a empresa tem práticas de sexismo e intolerância a funcionários que se atrevam a desafiar seus líderes, e citam ainda preocupações relacionadas às práticas de segurança — incluindo aquelas relacionadas ao veículo New Shepard —, junto de falta de compromisso com o futuro do nosso planeta.

O documento foi publicado na plataforma Lioness e tem somente a assinatura de Alexandra Abrams, que atuou como líder de comunicação na empresa até ser demitida por justa causa em 2019, devido a questões regulatórias após várias notificações — ela alega que nunca foi avisada sobre esses problemas. Grande parte dos demais profissionais envolvidos no texto é composta por engenheiros, que se recusaram a revelar seus nomes publicamente para não serem prejudicados na Blue Origin ou perderem oportunidades futuras na indústria aeroespacial.

Segundo os autores, as preocupações relacionadas aos voos do New Shepard são constantemente dispensadas, principalmente quando vêm das funcionárias, que são repreendidas por terem manifestado suas preocupações (Imagem: Reprodução/Reprodução/Blue Origin)

No documento, um autor afirma que vários dos funcionários ficaram desconfortáveis de assistir o voo do veículo New Shepard realizado em julho, que foi o primeiro voo comercial totalmente tripulado do sistema. "Muitos dos autores deste documento afirmam que não aceitariam voar em um veículo da Blue Origin”, disseram. Além disso, eles alegam que um executivo tratava as mulheres da empresa de forma condescendente e humilhante, e foi demitido somente após assediar uma subordinada. Segundo os autores, ex-funcionários e colaboradores atuais passaram por experiências que podem ser descritas como desumanizadoras e têm medo das consequências de vir a público contra o homem mais rico do planeta.

Como resposta, a empresa negou as alegações de segurança e cultura. "A Blue Origin não tolera discriminação ou assédio de qualquer tipo", afirmou um representante da Blue Origin. "Fornecemos vários canais para nossos funcionários, incluindo um telefone disponível 24 horas por dia e sete dias por semana, e investigaremos qualquer relato de conduta inapropriada. Mantemos nosso registro de segurança e acreditamos que o New Shepard é o veículo espacial mais seguro já projetado ou construído", disse ele.

O próximo voo do New Shepard está programado para acontecer no dia 12 de outubro e, até o momento, as afirmações do documento não parecem ter resultado em mudanças nos planos de pelo menos um dos passageiros. “Estou confiante no programa de segurança, na nave e no histórico da Blue Origin, e com certeza não voaria com eles se não me sentisse assim”, disse Glen de Vries em uma publicação no Twitter. Já Chris Boshuizen, o outro tripulante, não se posicionou.

Por fim, a publicação ressalta que os oficiais da Blue Origin estão "forçando" o veículo New Shepard, que é reutilizável, a fazer mais de 40 voos por ano, e que consideram que essas operações comprometem seriamente a segurança durante os voos. Em um comunicado, a Federal Aviation Administration, agência reguladora de voos nos Estados Unidos, afirma que está analisando as informações do texto, bem como as alegações sobre as práticas de segurança por parte da empresa.

Fonte: NY Times, Ars Technica

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