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Fluxo gigantesco de estrelas é encontrado em região inesperada

Por| Editado por Patricia Gnipper | 13 de Dezembro de 2023 às 09h44

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William Herschel Telescope/Román et al
William Herschel Telescope/Román et al

Um fluxo enorme de estrelas foi encontrado em uma região inesperada: o espaço intergaláctico, isto é, aquele existente entre as galáxias. A descoberta foi feita por acidente, e representa a primeira vez em que os astrônomos detectam algo desse tipo.

Alguns fluxos de estrelas no lado externo das galáxias já foram encontrados na Via Láctea, por exemplo. Eles são importantes para os astrônomos compreenderem um pouco melhor a evolução galáctica, pois revelam interações com galáxias anãs vizinhas.

Segundo as teorias mais aceitas hoje, a Via Láctea cresceu à medida que absorveu suas vizinhas, as quais geralmente eram galáxias anãs que se aproximaram demais. O mesmo deve ter acontecido com muitas outras galáxias universo afora.

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Os autores do novo estudo, publicado na Astronomy & Astrophysics, não estavam procurando estrelas intergalácticas, e sim pistas da matéria escura. Responsável pela maior parte de toda a matéria do universo, a matéria escura é invisível, mas pode ser detectada pelas interações gravitacionais com as galáxias.

Enquanto observavam o Aglomerado Coma — também conhecido como Abell 1656, um grupo de mais de 1.000 galáxias pequenas localizadas a cerca de 321 milhões de anos-luz da Terra — em busca da matéria escura, os pesquisadores se depararam com o rastro de estrelas intergalácticas.

A “corrente estelar”, chamada Gigant Coma Stream, faz jus ao nome: ela tem comprimento que equivale a cerca de 10 vezes o diâmetro da Via Láctea. O artigo que descreve a descoberta sugere que há muitas outras semelhantes em outros lugares do cosmos.

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Para confirmar a descoberta, os pesquisadores recorreram ao Telescópio William Herschel, localizado em La Palma, nas Ilhas Canárias, Espanha. Ainda não se sabe como o fluxo estelar se manteve unido, já que as galáxias mais massivas do Aglomerado Coma deveriam ter dispersado suas estrelas.

Uma das possíveis explicações leva os cientistas de volta à matéria escura, já que ela tem a propriedade de manter as galáxias nos formatos que conhecemos. Assim, parece razoável considerar que ela também conseguiria manter a forma da Giant Coma Stream, semelhante a uma garrafa contendo água e lhe dando seu próprio formato.

Fonte: Astronomy & Astrophysics; via: Phys.org