Este exoplaneta é o mais próximo já observado diretamente — até agora

Este exoplaneta é o mais próximo já observado diretamente — até agora

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 29 de Julho de 2021 às 11h15
B. Bays/SOEST/UH

Até hoje, a ciência já descobriu mais de 4 mil exoplanetas, isto é, mundos além do Sistema Solar — mas sabemos que existem muito mais a serem descobertos. No entanto, descobrir estes planetas extrassolares através de uma observação direta (e a uma grande distância) é um desafio para os telescópios atuais, já que esses mundos estão "mergulhados" no brilho de suas estrelas hospedeiras. Mas não é o caso do planeta COCONUTS-2b, localizado a apenas 35 anos-luz da Terra. Ele acaba de se tornar o mais próximo já observado diretamente, além de ser o segundo mais frio.

Nomeado em homenagem ao programa COol Companions ON Ultrawide orbiTS, o exoplaneta COCONUTS-2b orbita a estrela COCONUTS-2 a uma distância estimada em 6,4 unidades astronômicas — o equivalente a mais de 6 vezes a distância média entre a Terra e o Sol. Justamente por estar tão longe do astro é que os astrônomos conseguiram observar este gigante gasoso e frio. "Com um planeta massivo em uma órbita de separação superlarga e com uma estrela central muito fria, COCONUTS-2 representa um sistema planetário muito diferente de nosso próprio Sistema Solar", explica Zhoujian Zhang, do Instituto de Astronomia (IfA) da University of Hawaii e principal autor da descoberta.

COCONUTS-2b, o ponto vermelho à esquerda, em foto registrada via observação direta (Imagem: Reprodução/Zhang et al.)

Entre os modos de se detectar um exoplaneta, dois se destacam. O primeiro, é o chamado método do trânsito, quando, da nossa perspectiva de observação, um planeta passa em frente à sua estrela hospedeira, e essa passagem provoca uma leve variação no brilho dela. O segundo é o método da velocidade radial, usado quando um planeta não passa em frente à sua estrela, então, aqui, observam-se as mudanças no comprimento da onda de luz de sua estrela-mãe, provocadas por este mundo se movendo ao seu redor.

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Esses dois métodos são eficientes quando o exoplaneta é grande e massivo, pois, seja a sua passagem em frente à estrela ou sua influência gravitacional sobre ela, o sinal será maior e bem mais fácil de diferenciar. Mas, com seis vezes a massa de Júpiter e a uma grande distância de sua estrela — completando sua órbita a cada 1,1 bilhão de anos —, o COCONUTS-2 se tornou visível por meio da observação direta mesmo. Apesar de ser considerado frio, este planeta extrassolar tem uma temperatura estimada em 161 °C, permitindo uma observação em comprimento de infravermelho — como é o caso da imagem acima.

Concepção artística de COCONUTS-2b (Imagem: Reprodução/B. Bays/SOEST/UH)

O exoplaneta COCONUTS-2 ainda é bem jovem, com idade estimada em 800 milhões de anos. Seu calor, ao que tudo indica, é um resíduo da época de sua formação. A sua distante órbita também contribuirá para novas pesquisas que buscam entender a formação de gigantes gasosos e a diversidade deste tipo de planeta pelo universo. "Com sua enorme separação orbital, o COCONUTS-2b será um grande laboratório para estudar a atmosfera e a composição de um jovem planeta gigante de gás", ressalta Michael Liu, co-autor da descoberta.

A pesquisa, relatando detalhes da nova descoberta, foi publicada em 28 de julho deste ano, no periódico científico The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: ScienceAlert

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