Compostos indicam que este exoplaneta se formou mais longe de onde está hoje

Por Danielle Cassita | 07 de Abril de 2021 às 15h50
Kevin Gill

Uma análise realizada por uma equipe de cientistas de diversos países revelou que o exoplaneta HD 209458b, o primeiro identificado por meio do método do trânsito, tem seis diferentes compostos em sua atmosfera. Essa é a primeira vez em que tantas moléculas são identificadas, e a descoberta sugere que o planeta tem uma atmosfera com mais carbono do que oxigênio em sua atmosfera — algo típico de mundos que se formaram mais longe de suas estrelas do que onde estão atualmente.

A atmosfera deste planeta foi identificada primeiramente pelo Hubble. Ao analisá-la, a equipe identificou alguns compostos que sugerem que o planeta se formou mais longe da estrela do que onde está hoje, a apenas 7 milhões de quilômetros de distância. Os modelos computacionais e a interpretação dos resultados foram liderados pelos cientistas da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e essa foi a primeira vez em que moléculas da atmosfera foram medidas para determinar sua composição química.

Representação do HD 209458b, com cores exageradas para representar o espectro da luz usado pelos astrônomos para identificar as moléculas na atmosfera (Imagem: Reprodução/University of Warwick/Mark Garlick)

O estudo foi realizado com o telescópio Nazionale Galileo, na Espanha, que produziu dados de alta resolução do espectro do HD 209458b durante o trânsito durante quatro ocasiões diferentes. Nisso, a luz da estrela é alterada ao atravessar a atmosfera do planeta, e foi com essas diferenças que os astrônomos conseguiram determinar os compostos presentes e a abundância deles: pela primeira vez, eles identificaram haver cianeto de hidrogênio, metano, amônia, acetileno, monóxido de carbono e pequenas quantidades de vapor d’água na atmosfera.

A grande presença e variedade de moléculas baseadas em carbono indica que a quantidade de átomos de carbono e de hidrogênio na atmosfera é semelhante, o que sinaliza o dobro do esperado pelos pesquisadores. Na prática, isso mostra que o planeta acumulou gás carbônico enquanto se formava, algo que seria possível somente se ele estivesse em uma órbita mais distante da estrela quando se formou — que, possivelmente, seria parecida com a distância de Júpiter e Saturno em relação ao Sol.

Dr Siddharth Gandhi, do departamento de Física da Universidade de Warwick, explica que não é possível que um planeta se forme com uma atmosfera tão rica em carbono se estiver na região de condensação do vapor d'água, de modo que a descoberta corresponde ao entendimento de que planetas como o HD 209458b, considerado um Júpiter quente, se formou longe de onde está atualmente. Os exoplanetas recebem este nome quando são gasosos, assim como Júpiter, mas seguem em órbitas em torno de suas estrelas bem mais próximas delas do que os gigantes gasosos do Sistema Solar.

Com os telescópios futuros que estão por vir, com capacidades de observação mais poderosas, a mesma técnica poderá ser usada para estudos da composição química de exoplanetas que, talvez, possam abrigar vida. De qualquer forma, com essas observações, será possível definir os tipos de planeta que podem existir com base na localização em que se formaram e como evoluíram: “detectar quantas moléculas for possível é útil quando avançamos nos testes dessa técnica nos planetas com condições amigáveis para a vida, porque vamos precisar de um portfólio completo de espécies químicas que possamos detectar”, finaliza o Dr. Matteo Brogi, também da universidade.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista Nature.

Fonte: Eurekalert

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