Esses são os objetivos científicos da missão Dragonfly, que estudará a lua Titã

Esses são os objetivos científicos da missão Dragonfly, que estudará a lua Titã

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Agosto de 2021 às 14h20
Reprodução/NASA

A lua Titã, uma das 82 que orbitam Saturno, é a única no Sistema Solar envolvida por uma atmosfera. Sua superfície conta com lagos de metano e etano em estado líquido, o que talvez permita a existência de formas de vida — e, como ainda há vários mistérios envolvendo essa lua, a missão Dragonfly, da NASA, será lançada em 2027 para investigá-la melhor. Agora, a equipe de ciência da missão publicou um artigo apresentando alguns dos objetivos científicos para a empreitada.

Entre esses objetivos, está a busca por bioassinaturas químicas, análises do ciclo de metano e a exploração da química prebiótica que ocorre na atmosfera e na superfície de Titã. “Titã é a utopia dos exploradores”, comentou Alex Hayes, co-autor do estudo. “As perguntas científicas que temos sobre Titã são muito amplas, porque ainda não sabemos muito sobre o que realmente acontece na superfície de lá: para cada pergunta que a Cassini nos respondeu enquanto orbitava Saturno, surgiram outras 10 novas”.

Titã é a maior lua de Saturno e a segunda maior de todo o Sistema Solar (Imagem: Reprodução/Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA)

Em sua fala, Hayes se referiu à missão Cassini, lançada em 1997 e que orbitou Saturno por mais de 10 anos. Durante esse período, os instrumentos da sonda identificaram algumas estruturas morfológicas em Titã parecidas com as da Terra, como dunas, lagos e montanhas. Contudo, os dados obtidos não mostraram muito sobre a composição química dessas estruturas devido à camada espessa de metano que envolve Titã.

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Assim, Hayes explica que espera entender Titã como um mundo tão complexo quanto a Terra, e os processos por trás da evolução da lua. “Isso envolve tudo, desde as interações do ciclo do metano com a superfície e a atmosfera, até ao deslocamento de material pela superfície de Titã e possíveis trocas com o interior”, descreve. Para deixar essas questões mais claras enquanto estuda Titã, a Dragonfly irá contar com a expertise da equipe na operação de rovers, adquirida com as missões em Marte, e com a ciência conduzida pela missão Cassini.

Outra questão apresentada pela equipe envolve compostos químicos prebióticos que se formaram na Terra primordial, mas que também são formados na atmosfera de Titã, que pode ser análoga àquela presente no início da evolução da Terra. Assim, a missão irá buscar bioassinaturas químicas, mas de forma ampla. Além de somente examinar a habilidade da lua, a equipe espera investigar também possíveis bioassinaturas do passado ou do presente, que possam ter relação com formas de vida que precisam de água ou até seres que usariam hidrocarbonetos líquidos como solventes.

Representação da Dragonfly se deslocando entre locais de interesse para estudos (Imagem: Reprodução/John Hopkins APL)

Para isso, a missão contará com um helicóptero que mistura elementos de drones com os de robôs exploratórios. Como Titã tem gravidade bem menor que a da Terra e atmosfera quatro vezes mais densa que a terrestre, o ambiente da lua é ideal para um veículo aéreo. A ideia é que a Dragonfly passe um dia completo (cada dia em Titã equivale a 16 dias terrestres) em uma única localização, para realizar experimentos científicos e observações, para depois seguir viagem até o próximo local de interesse.

As decisões da equipe serão tomadas com base no que a nave descobrir sobre a localização anterior — “o que é exatamente o que os rovers de Marte vêm fazendo há décadas”, disse Hayes. Os astrônomos da universidade de Cornell, dos Estados Unidos, estão atuando na missão Mars 2020 e Mars Science Laboratory e, assim, vão aplicar em Titã o que aprenderam com os veículos em Marte.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Planetary Science.

Fonte: Cornell University

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