Engenheiros investigam anomalia em sistemas da Voyager 1

Engenheiros investigam anomalia em sistemas da Voyager 1

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 19 de Maio de 2022 às 12h40
NASA/JPL-Caltech

Enquanto atravessa a heliosfera, uma "bolha" protetora de partículas e campos magnéticos criados pelo Sol, que envolve o sisema solar, a sonda Voyager 1 da NASA continua a retornar dados científicos normalmente. Ou quase. Um curioso problema no sistema responsável pela orientação da sonda, está intrigando sua equipe de engenheiros.

Eles observaram que as leituras do sistema de articulação e controle de atitude da sonda (AACS) não estão refletindo o que de fato acontecendo no interior dela. Além de controlar a orientação da Voyager 1, o AACS mantém a antena apontada para Terra, permitindo a troca de dados.

A Voyager 1 e sua irmã gêmea Voyager 2 exploram o Sistema Solar desde 1977 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Os sinais indicam que o AACS está funcionando, mas os dados de telemetria enviados para a Terra não concordam com isto. Apesar dese problema, o modo de segurança da sonda, um sistema de proteção onde apenas as operações essenciais são realizadas quando há alguma falha, não foi ativado.

Outra boa notícia é que o sinal da sonda não enfraqueceu, indicando que a antena permanece apontada corretamente para a Terra. A equipe da NASA continuará a monitorar este sinal para saber se o problema vem do AACS ou de outro sistema envolvido na coleta e envio dos dados de telemetria.

Investigando um problema distante

Até que a raiz do problema seja descoberta, não há como saber como isto pode atrapalhar o trabalho da sonda. Atualmente a Voyager 1 está a 23,3 bilhões de quilômetros da Terra, tão distante que a luz leva mais de 20 horas para percorrer esta distância.

Portanto, são quase dois dias para enviar uma mensagem à sonda e receber sua resposta. Suzanne Dodd, gerente de projeto da Voyager 1 e 2 no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, explicou que a sonda está no espaço interestelar, um ambiente de alta radiação até então jamais visitado.

Apesar do problema, a Voyager 1 segue coletando dados científico e os enviando para a Terra(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Isso representa alguns grandes desafios para os engenheiros. “Mas acho que se houver uma maneira de resolver esse problema com o AACS, nossa equipe encontrará”, acrescentou Dodd. Também é possível que o problema não seja resolvido e a equipe tenha que se adaptar a ele.

Se encontraram a fonte do problema, eles tentarão resolvê-lo com algumas alterações de software ou usando um dos sistemas de backup. Em 2017, quando os propulsores da Voyager 1 apresentaram sinais de falha, os engenheiros ativaram outro conjunto usado na passagem dela pelos planetas.

Uma cópia idêntica da sonda, a Voyager 2 — atualmente a 19,5 bilhões de km de nós —, segue operando normalmente. As duas foram lançadas em 1977 e superaram o tempo de trabalho planejado por seus idealizadores, além de serem as únicas sondas a coletar informações sobre o espaço interestelar.

Devido à distância, a cada ano as sondas produzem cerca de 4 watts a menos de energia elétrica, limitando a quantidade de sistemas em operação. Os engenheiros já desligaram diversos subsistemas e aquecedores para priorizar o uso dos instrumentos científicos e sistemas fundamentais. A equipe segue trabalhando para manter as duas sondas coletando e enviando dados importantes para a Terra além de 2025.

Fonte: NASA

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.