Detalhes incríveis do Sol aparecem em novas imagens de altíssima resolução

Detalhes incríveis do Sol aparecem em novas imagens de altíssima resolução

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Março de 2022 às 16h32
ESA & NASA/Solar Orbiter/EUI team/: E. Kraaikamp (ROB)

Novas imagens do Sol em altíssima resolução, capturadas pela sonda Solar Orbiter, mostram diversos detalhes do nosso astro, incluindo o disco solar, sua atmosfera mais externa e outras características. As fotos foram feitas com diferentes instrumentos no dia 7 de março, quando a sonda estava a aproximadamente metade da distância entre Sol e a Terra.

Uma das fotos foi produzida pelo instrumento Extreme Ultraviolet Imager (EUI) e é considerada a imagem de maior resolução já obtida do disco solar completo e da coroa, a atmosfera mais externa do Sol. Quando o registro foi produzido, a Solar Orbiter estava a cerca de 75 milhões de quilômetros do Sol, distância equivalente à metade daquela entre a Terra e o astro.

Para conseguir fotografar nossa estrela inteira àquela proximidade, foi necessário produzir um mosaico com 25 imagens individuais. As imagens foram produzidas uma após a outra e, como cada uma delas levava 10 minutos (o tempo necessário para a nave apontar seus instrumentos de um segmento para o próximo), a foto completa levou mais de 4 horas para ficar pronta.

O Sol registrado pela sonda Solar Orbiter à distância de aproximadamente 75 milhões de quilômetros (Imagem: Reprodução/ESA & NASA/Solar Orbiter/EUI team; Data processing: E. Kraaikamp (ROB)

O resultado é esta imagem espetacular acima, com mais de 83 milhões de pixels de resolução. Para comparação, considere que esta é uma resolução dez vezes maior que aquela de uma TV 4K. Como o EUI produz imagens em comprimentos de onda na região extrema da luz ultravioleta, no espectro eletromagnético, a imagem revela detalhes da coroa solar, com altíssima temperatura.

Já o instrumento SPICE, criado para delinear as camadas na atmosfera solar indo da coroa até a cromosfera, foi responsável por produzir uma imagem do Sol em um comprimento de onda da luz ultravioleta, emitida pelo hidrogênio gasoso. E, assim como aconteceu com o EUI, também foi necessário unir as imagens do SPICE em um mosaico.

Mosaico de imagens do Sol, onde cada comprimento de onda registrado indica diferentes camadas na atmosfera inferior do nosso astro (Imagem: Reprodução/ESA & NASA/Solar Orbiter/SPICE team; Data processing: G. Pelouze (IAS)

A sequência de imagens capturadas por este instrumento resultou em mosaicos de diferentes cores, que nos mostram a temperatura de vários elementos: o hidrogênio gasoso, a 10.000 ºC, aparece em roxo. Já o carbono, a 32.000 ºC, aparece em azul, enquanto o oxigênio, a 320.000 ºC, está em verde. Por fim, o amarelo indica o neon, a 630.000 ºC.

Com essas informações, os físicos que estudam o Sol podem delinear as erupções poderosas que ocorrem da coroa solar para as camadas atmosféricas mais internas, além de estudar uma das características mais intrigantes do nosso astro: o que faz com que a coroa solar alcance facilmente um milhão de graus Celsius, enquanto a temperatura da superfície fica em apenas 5.000 ºC?

Enquanto este e outros mecanismos misteriosos sobre o Sol seguem investigados pelos cientistas, a Solar Orbiter continua se aproximando do nosso astro. No dia 26, a sonda deverá realizar seu primeiro periélio, ou seja, estará no ponto de maior proximidade do Sol em sua trajetória. No momento, a nave está no interior da órbita de Mercúrio, conseguindo imagens e dados das partículas do vento solar.

Fonte: ESA

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