Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (19/12 a 25/12/2020)

Por Daniele Cavalcante | 26 de Dezembro de 2020 às 11h00
Adam Block/NASA/ESA/Hubble/HLA/Advait Mehla/Francisco Sojuel

Ufa! Este conturbado ano está chegando ao fim. Foram muitos eventos astronômicos — de comuns a raros — compartilhados através de imagens incríveis, e esperamos que o próximo ano seja ainda mais emocionante para a astronomia. Ainda em clima de festa, trazemos nosso último compilado do APOD (Astronomy Picture of the Day Archive, da NASA) do ano, e nos despedimos de 2020 com chave de ouro: imagens fabulosas da Grande Conjunção tomaram conta dos últimos dias.

Infelizmente, o céu nublado atrapalhou a observação da Grande Conjunção para muitos de nós, brasileiros. Mas ainda podemos contar com fotografias de quem teve mais sorte e estava bem equipado para registrar o momento. Algumas dessas fotos foram selecionadas pela NASA para compor o APOD, e você irá encontrá-las abaixo.

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Na publicação de hoje, o céu noturno terrestre tomou conta, mas ainda há imagens fantásticas do universo distante. Encerramos a sequência de fotografias com uma noite natalina bastante simbólica: um céu com algumas das estrelas mais conhecidas e populares do planeta. Desejamos um ótimo fim de festas natalinas a todos — e que venha 2021 com muito mais curiosidades e eventos cósmicos para observarmos de pertinho.

Sábado (19/12) — Estrela de Natal

(Imagem: Reprodução/Alireza Vafa)

O ano de 2020 termina com um dos eventos astronômicos mais legais, principalmente para os que possuem telescópios. O alinhamento entre Júpiter e Saturno no céu noturno proporciona a oportunidade de olhar para ambos os planetas ao mesmo tempo e, com equipamentos adequados, o espetáculo é ainda mais impressionante.

Esse evento acontece uma vez a cada 20 anos. Mas, dessa vez, pudemos contemplar uma aproximação ainda maior entre os dois planetas — a última vez em que eles estiveram tão próximos no céu foi há 400 anos, num fenômeno que, popularmente, muitos chamam de "Estrela de Natal". Como era de se esperar, muitas imagens magníficas circularam pela internet, como esta, fotografada nas montanhas Alburz, no Irã, após o pôr do sol em 17 de dezembro.

Desde o dia 16 de dezembro e até o dia 25, foi possível ver os planetas separados por menos do que o diâmetro de uma Lua cheia, mas a aproximação máxima ocorreu mesmo no dia 21. A conjunção foi visível em qualquer parte do globo terrestre, mas os habitantes do hemisfério Sul tiveram o privilégio de prestigiá-la por mais tempo. Você conseguiu ver o encontro dos gigantes gasosos?

Domingo (20/12) — Conjunção joviana no vulcão

(Imagem: Reprodução/Francisco Sojuel)

Como dissemos, há muitas imagens incríveis da Grande Conjunção. Esta foi fotografada na semana passada e mostra os dois mundos à direita de um vulcão em erupção. Os dois planetas estarão em conjunção outra vez daqui a 20 anos (ou um pouco mais), porém uma aproximação tão grande como essa só acontecerá novamente em 15 de março de 2080. Depois disso, em algum momento de 2400.

Se ainda não conseguiu identificar os planetas na foto, eles estão logo acima de uma árvore, cercados pela luz zodiacal — um brilho difuso formado pela luz do Sol refletida por grãos de poeira que orbitam entre os planetas do Sistema Solar. Essa luz está sempre presente durante a noite e cobre completamente o céu, sendo responsável por 60% da luz natural em uma noite sem Lua. Mas não é sempre que podemos vê-la como retratada nesta imagem.

Segunda-feira (21/12) — A dança solar

(Imagem: Reprodução/Zaid M. Al-Abbadi)

O Sol nem sempre nasce na mesma direção do céu. Com o passar dos meses, o local onde nossa estrela surge no horizonte muda de posição, mas eventualmente volta para o mesmo ponto. A imagem acima mostra de modo muito didático como isso acontece ao longo do ano: as fotos capturam o nascer do Sol todos os meses durante o ano de 2019, perto da cidade de Amã, na Jordânia. Repare como na primeira foto o Sol aparece logo atrás de uma torre e se move para a esquerda, até voltar para a mesma torre um ano depois.

Em termos mais técnicos, o Sol nasce sempre rumo ao leste, mas no solstício de dezembro ele está mais em direção ao sudeste. Já durante o solstício de junho, o Sol nascente aparece mais ao nordeste. O solstício de dezembro foi no dia 21, o mesmo dia da Grande Conjunção. Em muitos países, o Solstício de dezembro é considerado a mudança oficial de uma estação.

Terça-feira (22/12) — Trífida

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA//Hubble/HLA/Advait Mehla)

Deixando o céu terrestre um pouco de lado (por enquanto), vamos viajar para longe, até a Nebulosa Trífida. Trata-se de uma região composta de gás estelar e poeira, onde recentemente novas estrelas começaram a se formar. A maior parte do brilho desta nebulosa é resultado da luz de uma única estrela massiva localizada no centro da formação.

A Trífida é uma das nebulosas de emissão mais jovens já observadas pelos astrônomos — tem apenas cerca de 300 mil anos, o que é pouco tempo em escala cósmica. Ela está localizada a cerca de 9.000 anos-luz de distância, na direção da constelação de Sagitário. Contudo, essa imagem compreende apenas uma parte da nebulosa. Na verdade, estamos olhando apenas para o final de um enorme pilar de gás e poeira que faz parte da Trífida.

Há um pilar menor no topo do grande pilar central, apontando para cima semelhante a um dedo, e um jato incomum em direção à esquerda. Esse jato se estende por quase um ano-luz e não seria visível sem iluminação externa. Ainda não é possível ver a estrela que forma esse jato, mas conforme o gás e a poeira evaporam dos pilares, provavelmente será descoberta a fonte desse curioso fenômeno. Só que isso deve acontecer só nos próximos 20.000 anos.

Quarta-feira (23/12) — Luas jovianas

(Imagem: Reprodução/Pêssego Damião)

De volta ao espetacular céu noturno terrestre, a Grande Conjunção continua encantando os observadores. Lembra que o evento seria espetacular para os que possuem telescópios por permitir olhar para os dois mundos ao mesmo tempo? Pois é, este é o resultado. Com um instrumento não muito sofisticado, é possível ver as listras coloridas dos dois planetas, os anéis de Saturno, e ainda as principais luas desses gigantes gasosos. Estamos vendo uma imagem muito rara, já que essa aproximação não ocorre há pelo menos 400 anos.

Temos aqui as quatro maiores luas de Júpiter, que são Calisto, Ganimedes, Io e Europa (da esquerda para a direita), e a maior lua de Saturno, Titã (veja também a imagem com os nomes de cada uma das luas). A imagem consegue capturar até mesmo a Grande Mancha Vermelha de Júpiter! Os planetas já começaram a se separar, mas ainda podem ser vistos bem próximos, logo após o Sol. Contudo, quanto mais perto do fim de ano, mais cedo eles desaparecerão no horizonte.

Quinta-feira (24/12) — NGC 1055

(Imagem: Reprodução/Martin Pugh)

Conheça a galáxia espiral NGC 1055, um membro de destaque do pequeno grupo de galáxias localizado a 60 milhões de anos-luz de distância, em direção à constelação de Cetus. Ela se mostra de lado, mas ainda assim é uma visão exuberante, com um pouco das cores de suas espirais reveladas devido a uma sutil inclinação. A galáxia se estende por mais de 100.000 anos-luz, o que a torna um pouco maior do que a Via Láctea.

Podemos ver nesta imagem outros detalhes bem legais, como uma série de galáxias bem mais distantes, ao fundo. Também é visível o halo que se estende acima e abaixo do bojo central da NGC 1055. Esse halo (o brilho difuso amarelado ao redor da parte central) é entrelaçado com estruturas estreitas e fracas e pode ser o resultado de detritos de uma galáxia vizinha. Possivelmente, a NGC 1055 atraiu uma galáxia satélite, bem menor que ela, há cerca de 10 bilhões de anos, e trouxe para si suas estrelas.

Sexta-feira (25/12) — Céu natalino

(Imagem: Reprodução/Adam Block)

Noite de Natal. O céu noturno proporciona mais um espetáculo em diversas regiões do planeta. Órion é uma das constelações mais fácies de identificar (basta procurar pelas famosas estrelas Três Marias) e costuma aparecer sempre nas noites de inverno do hemisfério norte. Essa mesma constelação protagoniza esta imagem. Também é visível a Grande Nebulosa de Orion, abaixo do trio de estrelas que formam o cinturão do Caçador.

Outros destaques da imagem são igualmente famosos por seus brilhos intensos, como a Betelgeuse, que fica no ombro de Orion, e a Aldebaran, a estrela alfa da constelação de Touro. Embora a longa exposição fotográfica tenha trazido inúmeras estrelas que geralmente não vemos, este cenário celeste é comum a todos nós — assim como o Natal, a festa que, independente da religião, faz parte de culturas ao redor de todo o planeta.

Fonte: APOD

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