Imagem incrível de 9 gigapixels revela detalhes do centro da Via Láctea

Por Patrícia Gnipper | 06 de Fevereiro de 2020 às 15h40
ESO/VVV Survey/D. Minniti/Ignacio Toledo/Martin Kornmesser

Contando com o telescópio terrestre VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy), o pessoal do ESO (Observatório Europeu do Sul) montou uma imagem impressionante com um total de 9 gigapixels mostrando o centro da Via Láctea — e é possível dar zoom, clicando aqui, para ver uma quantidade incrível de detalhes, incluindo quase 100 milhões de estrelas.

A imagem foi divulgada em 2012, mas recentemente o astrofísico Ethan Siegel, do blog Starts With A Bang, analisou-a com olhar clínico e trouxe alguns insights e explicações interessantes sobre o centro galáctico que vemos na divulgação do ESO. Primeiro, ele avalia a imagem geral, sem zoom, e detalha algumas coisas que já dá para observar à primeira vista.

(Imagem: ESO/VVV Survey/D. Minniti/Ignacio Toledo/Martin Kornmesser)

Na imagem acima, vemos a parte central da Via Láctea em infravermelho, com algumas marcações mostrando onde estão algumas nebulosas e aglomerados ao seu redor. Vemos exatamente onde ficam a Nebulosa da Lagoa (Messier 8), a Nebulosa Trífida (Messier 20), a Nebulosa Guerra e Paz (NGC 6357) e a Nebulosa da Pata do Gato (NGC 6334), por exemplo, que ficam visíveis mesmo em baixa resolução. Já os demais pontos exigem o zoom na imagem para serem identificados.

Imagens como essa só são possíveis graças a observatórios capazes de enxergar a região do infravermelho do espectro eletromagnético, pois conseguem ver o que há por trás de nuvens de gás e poeira que impedem a visualização direta por meio do espectro visível.

A Nebulosa da Lagoa em infravermelho (Imagem: ESO/VVV Survey/D. Minniti/Ignacio Toledo/Martin Kornmesser)

Nesta outra imagem (acima), vemos detalhes da Nebulosa da Lagoa, após dar um zoom na montagem do ESO. Ela se concentra no canto superior direito da foto. A região é um berçário de estrelas e, no infravermelho, aparece bastante diferente de como estamos acostumados a vê-la em fotos da luz visível (abaixo), nas quais ela se mostra em tons avermelhados e intensos.

A mesma Nebulosa da Lagoa em luz visível (Foto: ESO)

Já a Nebulosa Trífida combina belos tons de azul e vermelho quando observada pela luz visível, como você vê abaixo.

A bela Nebulosa Trífida em luz visível (Foto: ESO)

Contudo, na imagem em infravermelho, ela aparece com coloração azul e mais empoeirada no lado em que nascem suas estrelas. No lado esquerdo da imagem, vemos estrelas bastante brilhantes, que podem ser gigantes ou supergigantes vermelhas.

A Nebulosa Trífida na observação em infravermelho (Imagem: ESO/VVV Survey/D. Minniti/Ignacio Toledo/Martin Kornmesser)

E, ao focar no centro exato da galáxia, vemos milhões de estrelas que ficam completamente invisíveis nas observações de luz visível, sendo possível enxergá-las apenas com instrumentos que "leem" o infravermelho.

A imagem mostra o centro galáctico da Via Láctea na luz infravermelha, com o que parece ser uma "rede entrelaçada de poeira em torno de um núcleo amarelado", conforme descreve Siegel (Imagem: ESO/VVV Survey/D. Minniti/Ignacio Toledo/Martin Kornmesser)

Contudo, nem mesmo a luz infravermelha pode penetrar locais onde a poeira é extremamente densa e espessa, e muito do que há ali dentro permanece um mistério. Mais um zoom na parte mais interna do centro da galáxia mostra faixas de poeira que continuam escondendo o que há ali atrás, conforme você pode conferir na imagem abaixo.

(Imagem: ESO/VVV Survey/D. Minniti/Ignacio Toledo/Martin Kornmesser)

Fonte: ESO, Forbes

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