Como o asteroide com a maior risco de se chocar com a Terra agora é inofensivo?

Como o asteroide com a maior risco de se chocar com a Terra agora é inofensivo?

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Fevereiro de 2022 às 18h10
Domínio público

Em janeiro, o asteroide 2022 AE1 se tornou a rocha espacial mais perigosa dos últimos dez anos. Os astrônomos de defesa terrestre da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA) tiveram que observá-lo por vários dias para determinar o real risco de impacto, mas tudo acabou bem — as chances de colisão foram descartadas. Agora, a ESA conta como foram esses dias de tensão.

O trabalho dos defensores planetários é mais ou menos como de um detetive, de acordo com Marco Micheli, astrônomo do Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra (NEOCC) da ESA. Eles precisam observar o objeto várias vezes para descobrir sua trajetória ao redor do Sol.

Dias de tensão e risco de colisão com a Terra

Foto do asteroide 2022 AE1 observado com o telescópio Calar Alto Schmidt, na Espanha (Imagem: Reprodução/ESA/NEOCC)

A primeira obervação de um asteroide próximo do nosso planeta é, geralmente, a mais tensa, porque nesse momento ainda não se sabe exatamente qual direção ele vai seguir. Será preciso apontar vários telescópios, por vários dias, até que ele se mova o suficiente para saber para onde ele está indo.

Logo no início, os astrônomos determinaram que o 2022 AE1 tem cerca de 70 metros e as chances de colisão na escala de Palermo (usada para determinar quais asteroides monitorados apresentam maior ou menor grau de risco de colisão) eram de -1,5. Essa foi a classificação mais alta nessa escala vista pelos cientistas em mais de uma década.

Essa pontuação na escala de Palermo também indicava que, em caso de uma confirmação de impacto iminente, o asteroide não nos daria tempo suficiente para tentar alguma das técnicas de desvio de rota. Além disso, ele é grande o suficiente para causar danos reais a uma área local.

Para complicar ainda mais, houve um empecilho justamente nesse momento de tensão: por algumas noites, a Lua destruiu por completo quaisquer chances de observação do asteroide. Foi preciso esperar até que ela se escurecesse o suficiente para que a rocha voltasse a ser visível para os telescópios.

As novas observações do asteroide

Graças aos telescópios da ESA espalhados por todos os continentes do mundo, os astrônomos puderam observar o céu noturno 24h por dia — afinal, sempre é noite em algum lugar do planeta. Isso facilitou muito o trabalho de “detetive” da equipe, que trabalhou em conjunto com a NASA para confirmar todos os dados coletados.

Assim, logo na primeira observação após a diminuição do brilho lunar, os cientistas puderam determinar melhor a rota do asteroide e as chances de impacto foram reduzidas a zero. “Se o caminho de 2022 AE1 permanecesse incerto, teríamos usado todos os meios possíveis para continuar assistindo com os maiores telescópios que temos”, disse Laura Faggioli, do NEOCC.

Isso não foi necessário, já que o 2022 AE1 foi removido da lista de riscos da ESA. Alguns observadores continuam a monitorar o asteroide, confirmando os resultados da ESA, e preveem que ele passará por nós no início de julho de 2023, a uma distância de 10 milhões de km — mais 20 vezes a distância da Lua.

O Gabinete de Defesa Planetária da ESA e o NEOCC já estão concentrados nos próximos objetos que podem apresentar algum risco para garantir que, se algum realmente estiver em nosso caminho, a humanidade esteja preparada para colocar em prática alguns dos planos de deflexão, ou até mesmo destruição do asteroide.

Fonte: ESA

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