O que é um asteroide troiano?

O que é um asteroide troiano?

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 08 de Fevereiro de 2022 às 19h00
Reprodução/NASA/JPL-Caltech

Você sabe o que é um asteroide troiano? E qual a diferença entre um asteroide "comum" e um troiano? Asteroides troianos são um tipo de rocha espacial que fica preso gravitacionalmente a planetas e estão ali há bilhões de anos, em lugares conhecidos como pontos de Lagrange. Assim, os asteroides troianos orbitam o Sol na mesma trajetória de seus planetas “companheiros”.

Se você já ouviu falar nesse tipo de asteroide, pode ser que o assunto tenha sido os troianos de Júpiter — o planeta que mais possui a maior quantidade conhecida deles. Entretanto, outros planetas contam com asteroides troianos em suas órbitas, inclusive a Terra.

Asteroides troianos de Júpiter

Animação do movimento dos planetas internos e dos dois grupos de asteroides troianos de Júpiter (Imagem: Astronomical Institute of CAS/Petr Scheirich)

Os troianos mais conhecidos são os de Júpiter, que possui dezenas de milhares à sua frente e atrás de si. Isso faz sentido se pensarmos que Júpiter é o planeta mais massivo do Sistema Solar e conta com 79 luas (ou mais) e pequenos anéis de poeira ao redor.

Até agora, porém, sabemos pouco sobre os asteroides troianos de Júpiter, já que enviamos poucas naves até lá. Foi só em outubro de 2021 que a NASA enviou a missão Lucy, com a tarefa de estudar oito dessas rochas misteriosas.

Há muito interesse científico nos asteroides troianos de Júpiter, já que o planeta parece ter um papel importante para impedir que pedregulhos venham em direção ao Sistema Solar mais interno — onde está nosso planeta, a Terra. Ou seja, Júpiter é uma espécie de escudo para os quatro planetas rochosos internos.

Além disso, os troianos são verdadeiros “fósseis” do início do Sistema Solar, já que eles já estavam lá, há 4 bilhões de anos, quando os planetas se formaram ao redor do Sol. Os cientistas cogitam que alguns deles podem até mesmo ser núcleos de protoplanetas que “falharam” logo no início de suas formações.

Muitos troianos de Júpiter têm inclinações orbitais (em relação ao Sol) maiores que o próprio planeta — alguns bem maiores. Por exemplo, os objetos 2009 WN204 e 2010 BK101 têm inclinações de 40,3° e 40,2°, respectivamente, enquanto o 2146 Stentor tem uma inclinação orbital de 39,3°.

Ainda assim, a “dança” entre Júpiter e o Sol sempre traz os asteroides de volta aos dois pontos de Lagrange. Mas o que são esses pontos?

Como os asteroides troianos mantêm a órbita?

Os cinco pontos de Lagrange do sistema Terra-Sol; também existem cinco pontos entre a Terra e a Lua (Imagem: Reprodução/NASA/WMAP SCIENCE TEAM)

Cada sistema cósmico formado por dois objetos em órbita — como o Sol e a Terra, a Terra e a Lua, ou qualquer planeta ao redor de sua estrela — tem vários pontos gravitacionais onde um corpo relativamente pequeno, como um asteroide, pode manter uma posição bastante estável em relação aos dois maiores.

A atração gravitacional entre os dois corpos grandes gera uma força centrífuga que consegue manter os objetos pequenos na mesma órbita. Por exemplo, na órbita de Júpiter ao redor do Sol, há essa força que ajuda os asteroides a orbitarem o Sol junto com o planeta, sem muitas chances de voarem para longe.

Essas forças centrífugas criam os tais pontos orbitais, conhecidos como pontos de Lagrange. Existem cinco pontos Lagrangeanos para cada um desses sistemas: L1, L2 e L3 (que ficam em uma linha reta traçada através das duas grandes massas) e L4 e L5 (que formam dois triângulos equiláteros).

Asteroides troianos estão sempre nos pontos L4 e L5, ou seja, sempre acompanham o planeta, à frente e atrás de sua trajetória. Esses pontos são estáveis, e assim têm sido ​​ao longo da existência do Sistema Solar. A atração gravitacional do planeta acelera ou desacelera os asteroides, fazendo com que eles oscilem e sejam conduzidos em duas regiões alongadas ao redor desses pontos.

Asteroides troianos em outros planetas

Troianos em Marte circulando os pontos de Lagrange L4 e L5 (Imagem: Reprodução/Armagh Observatory)

Os astrônomos já conheciam um asteroide troiano no ponto de Lagrange L-4 da Terra, mas em 2022 foi descoberto o segundo asteroide troiano terrestre. Nenhum dos dois, entretanto, ficará permanentemente por aqui: em cerca de 15.000 a 20.000 anos as interações gravitacionais os expulsarão.

Em Marte, os troianos à frente do planeta estão a 60º de deslocamento orbital no ponto Lagrange L4, enquanto os outros logo atrás do planeta estão a 300º em relação ao mesmo plano. A origem destes asteroides troianos ainda não é conhecida.

Uma das hipóteses sugere que os troianos marcianos foram capturados por Marte durante a formação do Sistema Solar, enquanto tratam de uma “captura” dos astroides pelo planeta. Atualmente, são troianos estáveis e um candidato.

Até onde sabemos, troianos no Sistema Solar em cada planeta são na seguinte quantidade:

  • Vênus: 1 troiano no ponto Lagrange L4
  • Netuno: 18 troianos no ponto Lagrange L3, L4 e L5 (pode haver uma nuvem com incontáveis troianos grandes por lá)
  • Urano: 1 troiano no ponto Lagrange L4
  • Júpiter: em debate (já foram estimados aproximadamente 1 milhão, mas estudos recentes diminuíram a quantidade)
  • Marte: 7 troianos no ponto Lagrange L4
  • Terra: 2 troianos no ponto Lagrange L4 e L5

Fonte: NASA, AstronomySwinburne University

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